Medalhista paraolímpico que se colou em cima do avião recebe sua sentença

O duplo medalhista de ouro paraolímpico que, em um protesto em nome do grupo Extinction Rebellion contra as mudanças climáticas, subiu até o topo de um avião prestes a partir e ali colou a si mesmo na fuselagem, agora recebeu a sentença de seu julgamento.

James Brown, que é deficiente visual, escalou a aeronave da British Airways no Aeroporto London City, na capital da Inglaterra, na manhã de 10 de outubro de 2019 e transmitiu uma live nas redes sociais em um protesto contra o impacto ambiental da aviação. Depois, fixou com cola uma de suas mãos na fuselagem:

Brown, nascido na Irlanda do Norte e agora morando em Exeter, na Inglaterra, passou uma hora no topo da aeronave antes de os bombeiros conseguirem removê-lo. O ex-atleta paraolímpico representou a Grã-Bretanha no ciclismo e no atletismo antes de passar a representar a Irlanda no esqui cross-country.

Depois da ocorrência no Aeroporto London City, o processo na justiça culminou, em julho deste ano, com a condenação de Brown por seu ato e ele então aguardava pela definição do tempo de prisão.

Os promotores disseram que ele causou transtornos a mais de 300 passageiros da British Airways, custando à companhia aérea £ 40.000. Brown, que representou a si mesmo em seu julgamento, negou uma acusação de causar incômodo público, alegando que ele tinha “que fazer algo espetacular” para chamar a atenção para a crise climática.

Mas ele foi considerado culpado no Corte Popular de Southwark em julho, depois que o júri deliberou por menos de uma hora. Agora, conforme relata a BBC, o juiz Gregory Perrins o sentenciou a 12 meses de prisão, dos quais ele cumprirá metade. Ele disse a Brown:

“O direito de protestar não lhe dá o direito de causar uma grande perturbação generalizada em um grande aeroporto simplesmente porque você acha que é a coisa certa a fazer.

“Este é um caso em que você agiu junto com pelo menos 10 outros ativistas para planejar e executar um grande ato de ruptura. Você pretendia causar o máximo de perturbação possível no aeroporto, se não fechá-lo completamente.”

O juiz ainda completou, em uma crítica a Brown: “Você cinicamente usou sua deficiência para colocar seu plano em ação. Você colocou sua própria vida em risco ao subir no topo do avião”.

Ele disse que entendia que Brown foi motivado “por um desejo de realizar uma mudança que você acredita genuinamente que é para o benefício de todos”, mas que “não há direito a um tratamento mais brando” só porque ele estava protestando pelo meio ambiente.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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