Menos perdas em 2021, mas crise na aviação continua, diz IATA

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Imagem: Chad Davis / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, em, inglês) informou que aviação civil mundial deve acumular perdas de US$ 47,7 bilhões em 2021, com uma redução de 10,4% na margem de lucro em relação a 2019, no pré-pandemia. O resultado é melhor do que o estimado para 2020, quando a indústria teve prejuízo líquido de US$ 126,4 bilhões, com queda de 33,9% de lucro líquido.

Para o diretor-geral da IATA, Willie Walsh, a crise vivenciada pela indústria de aviação civil é mais longa e profunda do que jamais esperado e que, apesar da redução do prejuízo, o sofrimento do setor aumenta. “As perdas serão reduzidas em relação a 2020, mas a dor da crise aumenta”, declarou o executivo, em comunicado à imprensa.

Segundo Walsh, a recuperação do setor está concentrada na aviação doméstica de diversos países, mas as viagens internacionais ainda sofrem as consequências da pandemia. “Há otimismo nos mercados domésticos, onde a resiliência da aviação é demonstrada por recuperações de viagens internas em vários mercados. As restrições de viagens impostas por governos, no entanto, continuam a reduzir a forte demanda subjacente por voos internacionais. Apesar de prevermos cerca de 2,4 bilhões de pessoas viajando de avião em 2021, as companhias aéreas vão queimar mais US$ 81 bilhões em dinheiro”, disse ele.

Ajuda dos governos

Walsh alerta para o risco de perdas econômicas muito expressivas se os governos não demonstrarem planos concretos de reabertura das fronteiras. “A maioria dos governos ainda não forneceu indicações claras das referências que usarão para devolver às pessoas a liberdade de viajar com segurança. Nesse ínterim, uma parte significativa dos US$ 3,5 trilhões do PIB e 88 milhões de empregos sustentados pela aviação estão em risco”, informa.

“O reinício efetivo da aviação energizará os setores de viagens e turismo e a economia em geral. Com o vírus se tornando endêmico, aprender a viver, trabalhar e viajar com segurança é fundamental. Isso significa que os governos devem voltar seu foco para a gestão de risco para proteger os meios de subsistência e também as vidas”, completou Walsh.

A IATA informa que a ajuda de alívio financeiro às companhias aéreas evitou falências generalizas pelo mundo, mas que ainda assim as perdas do setor são profundas e novas medidas devem ser necessárias para evitar demissões.

“Devido às medidas de alívio do governo, cortes de custos e sucesso no acesso aos mercados de capitais, algumas companhias aéreas parecem capazes de sobreviver à tempestade. Outras têm menos proteção e podem precisar levantar mais dinheiro em bancos ou no mercado de capitais. Isso aumentará o endividamento do setor, que aumentou de US$ 220 bilhões para US$ 651 bilhões. Há um papel definido para os governos no fornecimento de medidas de alívio que garantam que funcionários e habilidades essenciais sejam retidos para reiniciar e reconstruir a indústria com sucesso”, disse Walsh.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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