‘Meu sonho é que todas as promoções da empresa venham de dentro’, diz CEO da Azul

Na mais recente edição do podcast “Conversa Azul”, publicada na semana passada pela Azul Linhas Aéreas no Spotify, o tema foi a Associação Voar, um bonito projeto que visa ajudar funcionários a realizarem os seus sonhos por meio de contribuições do restante da equipe.

Durante uma conversa, de cerca de vinte minutos, o CEO da Azul, John Rodgerson, pôde bater um papo com três funcionários da empresa agraciados com as bolsas da associação, após terem passado por um intenso processo seletivo. São eles a Gabi, futura comissária de bordo; Cássio, piloto em formação; e Léo, que já se prepara para ser técnico de manutenção.

A conversa, de tom inspirador, contou um pouco da história dos três que, em comum, têm os desafios para conseguir dar cada passo rumo ao seu sonho. Eles foram convidados, durante a conversa, a destacar como a Associação Voar tem ajudado a impulsionar suas carreiras.

E não apenas eles, mas John Rodgerson também deixou algumas mensagens interessantes durante a conversa. Numa delas, o executivo salientou que não importa se a pessoa veio de família rica, pois a formação não é o mais importante, já que “os melhores são aqueles que têm fome para fazer algo diferente”, nas palavras do execuivo. Ele citou que, por exemplo, durante processo seletivo, eles viram que havia muita gente fazendo os cursos ou horas de voo aos poucos, suando a camisa para chegar a seu objetivo e que “são esses que interessam para a companhia”.

Outro ponto que Rodgerson colocou é o sonho que ele tem de fazer com que “em cinco anos, todas as promoções da companhia venham de dentro”, num nítido foco no desenvolvimento dos funcionários. Ele acredita que há muitos talentos para serem aproveitados na empresa.

O programa

Lançado há cerca de 18 meses, o programa não é propriamente da Azul, já que a empresa não põe dinheiro nele, como destacou Rodgerson. Mas sim, são os próprios colaboradores da empresa que doam o dinheiro usado no programa, incluindo todo o corpo executivo.

“Muita gente vem de famílias mais humildes e não tem oportunidade para virar um mecânico, um comissário ou um piloto um dia, mas a Associação Voar vai ajudar qualquer ‘tripulante’ (como os funcionários são conhecidos internamente) da Azul, que tenha um sonho em entrar em um desses empregos aqui dentro da Azul”, afirmou o executivo na época do lançamento do projeto.

Rodgerson disse também que a inspiração veio após ele rodar o país e conhecer diversos funcionários da Azul que tinham grandes sonhos, e também paixão pela empresa e pela aviação, que é um dos valores da companhia.

“E há muitas pessoas, como eu e outras pessoas que são super abençoadas, nosso Conselho, nossos investidores, que podem ajudar outra pessoa. Eles querem uma maneira de ajudar o próximo, e a melhor maneira é ajudar alguém aqui dentro da Azul”, diz John.

Como funciona

A Associação Voar concede bolsas exclusivamente para funcionários da Azul, a partir de recursos oriundos dos investidores da companhia, além de doações de próprios colegas de trabalho ou outra pessoa, qualquer um pode doar.

No caso de pilotos, a bolsa será aplicada em escola parceira para uma das fases da formação: Piloto Privado, Piloto Comercial, Piloto de Linha Aérea Teórico ou Jet Training.

Para comissários, será para os cursos exigidos pela ANAC ou para a banca (exame) da ANAC. Enquanto que para mecânicos será para o curso Básico (CCT), Célula ou Grupo Moto-propulsor ou Aviônicos.

Vale lembrar que quem for agraciado com a bolsa não terá vantagem na seleção interna para o cargo pretendido, seguindo a mesma exigência de quem teve formação por contra própria.

A expectativa é que sejam abertas inscrições ao menos uma vez por ano.

Como é a seleção?

A seleção para os bolsistas tem três pilares: aspectos sociais e econômicos, mérito e avaliação de perfil. O candidato terá que se enquadrar em todos estes pilares para se tornar bolsista.

A primeira parte será da análise socionômica com comprovação da situação familiar, preenchimento de formulários e entrevistas com o serviço social da Azul.

Já a segunda irá avaliar o mérito do funcionário, incluindo seu histórico de carreira, avaliações e conduta na Azul. Por último a avaliação de perfil para o cargo levará em conta avaliações psicológicas, competências e nível de idioma.

Não existe um número de bolsas determinados, já que elas dependem de doações e o pagamento da bolsa será feito diretamente às escolas associadas.

Caso o funcionário já tenha parte da formação concluída, poderá participar normalmente, assim como também tentar de novo caso não seja aprovado em alguma das etapas.

Mais detalhes estão disponíveis no site da Associação Voar, para acessar clique aqui. Para doar clique neste outro link.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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