México não aceita a oferta de compra e confirma a rifa do Boeing 787 presidencial

O presidente Andrés Manuel López Obrador apresentou na manhã de terça-feira, 28 de janeiro, o bilhete da rifa com o qual o avião presidencial, um Boeing 787-8 registrado como TP-01 e batizado de José María Morelos e Pavón, será sorteado. O anúncio vem após a tentativa frustrada de negociar o avião com um empresário coreano.

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Bilhete da Loteria – Imagem: Governo do México

A aeronave, com um custo de US$ 218 milhões, seria sorteada entre os mexicanos com seis milhões de “cachitos” (como os bilhetes são conhecidos por lá) da loteria local. O anúncio sucede a uma oferta frustrada de um comprador coreano, que havia expressado interesse pela aeronave na semana passada.

A rifa

Livrar-se do avião presidencial que ele descreveu como “faraônico” foi uma promessa de campanha do presidente da esquerda, mas um ano depois de ser colocado à venda, só causou despesas ao tesouro mexicano ficando estacionado na Califórnia. Sem ofertas concretas, López Obrador planejou sortear o avião entre a população.

O presidente informou que os recursos seriam destinados a hospitais que atendem gratuitamente às pessoas pobres e à compra de equipamentos médicos.

As notícias do suposto sorteio do avião presidencial causaram surpresa nacional e internacional. Há algumas semanas, López Obrador apresentou cinco soluções possíveis para se livrar do avião que o governo de Felipe Calderón comprou e que também usou o ex-presidente Enrique Peña Nieto.

Embora o presidente mexicano já tenha apresentado o bilhete da rifa do luxuoso Boeing, com seus acabamentos de luxo, banheiros, sala de jantar e um quarto de luxo, a Lei da Loteria Nacional impede que o avião seja sorteado. “Existem muitos procedimentos legais que precisam ser resolvidos para tornar isso possível”, admitiu López Obrador na terça-feira em sua tradicional conferência de imprensa.

Assista a apresentação do presidente Obrador:

As cinco opções de Obrador

Vendê-lo “em partes”, trocá-lo por ambulâncias e até sortear foram algumas das cinco opções que o presidente mexicano anunciou para se livrar de uma vez por todas do controverso avião presidencial herdado de seus antecessores.

“Isso não é fácil, porque se o presidente não vai usá-lo, qual empresa usa esse avião. A verdade é que esse avião é um excesso. Isso não deveria ter sido feito. Eles não deveriam ter comprado este avião, nem mesmo os mais ricos do mundo e extravagantes, eles não têm mais esses aviões ”, disse o presidente na hora de avaliar as opções, embora ele tenha se equivocado nessa análise.

Embora a loteria seja uma das maneiras de vender o avião, o governo mexicano continua a considerar outros cenários

1. Compradores privados: além da oferta do coreano, o governo mexicano recebeu uma oferta de um comprador dos Estados Unidos por 125 milhões de dólares, mas não foi aceita pelo México, que espera uma oferta melhor.

2. Escambo: o México também propôs formalmente aos Estados Unidos a troca da aeronave pelo equivalente em equipamentos médicos, como ambulâncias, tomógrafos, aparelhos de raio-x e “tudo o que é necessário para hospitais”. Até o momento, Washington não respondeu à proposta, enquanto López Obrador esclareceu que eles usariam o maquinário ou os recursos de outras opções para equipar hospitais públicos.

3. Venda de peças: o presidente também pensou em vender “em partes” o avião para 12 empresa, portanto caberia a cada empresário pagar cerca de 11 milhões de dólares. Ao relatar que se encontrou com empresários como Carlos Slim, Carlos Salazar e Antonio del Valle, López Obrador pediu ao setor privado “que o ajudasse a reparar os danos”.

4. Aluguel: ao citar o caso de uma aeronave na Ásia que é alugada por US$ 70.000 / hora, o presidente considerou a opção de alugar a aeronave sob a administração da Força Aérea Mexicana. O veículo tem capacidade para voar por 800 horas por ano, com um custo operacional de US$ 15.000 por hora.

5. Rifa: sorteio de 6 milhões de cachitos (bilhetes), de 500 pesos cada (cerca de 25 dólares), administrados pela Loteria Nacional, é a alternativa mais controversa proposta pelo governo mexicano. O vencedor também pode ganhar o serviço de operação do avião de um ou dois anos, disse o presidente.

“São as opções que temos. Estou certo de que as pessoas vão nos ajudar, como sempre”, afirmou.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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