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Ministro português defende banir voos domésticos em Portugal e Europa

O ministro da Infraestrutura de Portugal, Pedro Nunes Santos, vem defendendo em sucessivas declarações públicas uma medida que pode acabar com os voos domésticos no país. Em conjunto com outras nações da Europa, o político quer que o continente elimine todas as viagens aéreas com menos de 600 km de trajeto.

A manifestação mais enfática do ministro português ocorreu no fim de abril, durante lançamento do Plano Nacional Ferroviário de Portugal, que promete ampliar e modernizar linhas de trem no país. Na ocasião, Pedro Nunes disse que “as viagens de avião com menos de 600 quilômetros desapareçam da Europa” em curtíssimo prazo. 

Para Pedro Nunes, assim como outros defensores da ideia, viagens curtas podem ser substituídas por viagens rodoviárias e ferroviárias, visto que os cidadãos europeus têm livre acesso entre os países na União Europeia. O continente também é um dos mais bem servidos por malha terrestre, que inclui confortáveis trens internacionais, o que torna a substituição de modais algo factível.

Menos poluição

A medida atende a uma das principais demandas dos movimentos ambientalistas, cuja pauta é cada vez mais influente na política europeia. De acordo com a imprensa portuguesa, dentro dos critérios do ministro, seriam eliminados todos os voos domésticos atualmente em operação em Portugal continental. Permaneceriam ativas apenas as viagens entre o continente e as ilhas.

A medida, que também é defendida pelo ministro da economia e até pelo primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa, ganhou apoio efusivo de grupos de defesa do meio ambiente, mas vem sendo questionada por especialistas. Em entrevista à Rádio Renascença, de Portugal, o professor  do Instituto Superior Técnico e especialista em transportes, José Manuel Viegas, desse que a medida não poder aplicada por “simples proibição dos voos”.

“Acho que faz mais sentido nós criarmos condições que levem as pessoas a escolher usar modais com menos emissões que o avião, como estradas de ferro, para distâncias até aos 600 quilômetros”, diz. Para o especialista, a proibição direta implicaria em forte resistência de pessoas habituadas a voar e o efeito pode ser exatamente o contrário do objetivo. “O que faremos se proibir os voos e não houver uma boa conexão terrestre? As pessoas vão de carro que, provavelmente, em muitos casos tem mais emissões do que o avião. Especialmente se a pessoa viajar sozinha”, lembra.

Um estudo publicado em 2020 pelo Banco Europeu de Investimento indica que 62% dos cidadãos da Europa são favoráveis à ideia de banir os voos de curta distância, em razão das questões ambientais. Entre os portugueses, dos 1.000 entrevistados, 63% apoiaram a ideia.

Ações semelhantes estão em andamento em outros países. A medida é uma das mais estudadas para que as nações atendem aos limites de emissões de poluentes estabelecidos pelo Acordo de Paris.

Em abril, a Assembleia Nacional da França aprovou uma lei que proíbe voos domésticos de curta distância  e que podem ser substituídos por uma rota de trem que faça o mesmo trajeto em menos de duas horas e meia.

Em junho do ano passado, a Áustria instituiu um novo imposto para voos com menos rotas inferiores a 350 km e que possam ser trocadas por trem. A Holanda também, discute, há alguns anos, proibir voos de curta duração.

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