Míssil iraniano atingiu o cockpit do Boeing 737 por baixo, diz oficial da Ucrânia

O secretário de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, Oleksiy Danilov, falou sobre imagens e vídeos dos destroços feitos pelas autoridades ucranianas no Irã, as quais investigam o acidente que matou 176 pessoas. O país tem experiência nesse tipo de investigação e trata-se da mesma equipe que investigou a queda do Boeing da Malaysia Airlines anos atrás, também atingido por um míssil russo.

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A principal autoridade de segurança da Ucrânia disse que os investigadores acreditam que o cockpit do avião da Ukraine International Airlines foi atingido por baixo pelo míssil iraniano, matando os pilotos instantaneamente, reportou a ABC News.

“Ele atingiu o cockpit por baixo”, disse Danilov à ABC, referindo-se a uma foto do cockpit caído tirada por investigadores ucranianos. “Isso explica por que não ouvimos nada dos pilotos. Eles morreram imediatamente após o primeiro golpe”.

Outra foto apresentada por Danilov parecia mostrar restos do míssil que supostamente derrubou o avião. “Achamos que isso faz parte do míssil”, disse Danilov, acrescentando que as evidências foram coletadas antes que o Irã admitisse a culpa por abater o avião de passageiros.

“Assim que os iranianos nos deram acesso a esses itens, nossos especialistas nos mantiveram atualizados a cada hora sobre o que estava acontecendo. E muito rapidamente, quando reunimos informações, entendemos o que havia acontecido”, disse ele.

Ucrânia
Buracos de estilhaços do míssil são encontrados por toda a fuselagem do avião

O Irã atribuiu inicialmente o acidente a falhas mecânicas e perda de controle pelos pilotos, mas houve especulações de alguns especialistas de que o avião poderia ter sido abatido. Dias depois, Estados Unidos, Canadá e Austrália disseram ter inteligência indicando que era esse o caso.

“Não conseguimos divulgar [as evidências] imediatamente. Ainda precisamos trabalhar lá”, disse Danilov. “O Irã é um país muito difícil, como você sabe. E estávamos preocupados que eles pudessem enviar nossos especialistas de volta.”

Danilov acrescentou: “Acho que o Irã entendeu que não tinha escolha [a não ser admitir a culpa pelo acidente]. “Mesmo se eles tentassem criar obstáculos, já tínhamos o suficiente para mostrar à comunidade internacional o que realmente aconteceu aqui”, afirmou.

Lugar da queda já foi totalmente limpo

Cenas do crime ou locais de acidentes que ainda estão sendo investigados costumam ser preservados, com cordão de isolamento e segurança para evitar manipulação do cenário. Bem, esse deveria ser o protocolo, mas não foi o que aconteceu no local da queda do Boeing 737 ucraniano.

Quando jornalistas da rede de TV CBS chegaram ao local da tragédia, na tarde de ontem, encontraram o local completamente limpo e com civis transitando normalmente por ele, como mostra o Tweet abaixo.

Cenas do próprio dia da tragédia já mostravam tratores rodando pela área, indicando que não havia ali interesse em uma análise mais profunda das causas do acidente (que àquele ponto já deveriam ser conhecidas), mas sim na coleta rápida das evidências e limpeza do local do crime.

Felizmente, nada hoje passa batido da rapidez da internet e das redes sociais. Não fosse por isso, teríamos menos evidências do que houvera derrubado o 737 da empresa da Ucrânia.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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