Morre Niki Lauda, lenda da Fórmula 1 e da Aviação

© DW

Faleceu na noite de hoje o piloto austríaco de Fórmula 1 e avião Niki Lauda. Aos 70 anos de idade Niki acumulava três titúlos de F1 e fundou três empresas aéreas.

Velocidade, velocidade!

Assim como o nosso Ayrton Senna, Niki era um grande fã da velocidade e também da aviação. Em 1979 após uma pausa na F1 criou a Lauda Air, que cresceu de maneira exponencial chegando a operar os Boeings 767 e 777 além de ser aérea membro da Star Alliance.

Inclusive era um fã de Senna que batizou um Boeing 767 da companhia em sua homenagem: o OE-LAS (AS de Ayrton Senna) tinha a assinatura do piloto brasileiro estampada na fuselagem:

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Em 1999 vendeu a maioria das ações para a Austrian e fundou em 2003 a NIKI, uma aérea low-cost também da Áustria. Em 2004 a NIKI iniciou uma grande parceria com a AirBerlin tornando em 2011 uma empresa só.

Niki e seu jato Bombardier

Com o fim da Air Berlin e consequentemente da NIKI, o piloto persistiu na aviação e fundou a Laudamotion em parceria com a Ryanair no ano passado.

Esteve no Brasil na última vez em 2016, onde a Bombardier promoveu um encontro entre ele e Lewis Hamilton, o seu “aluno” na F1 e na Mercedes. Niki chegou ao Brasil piloto seu jato Bombardier Global 6000.

O homem que desafiou a Boeing

Niki Lauda investiga o acidente com o avião da sua aérea – © Associated Press

Porém um dos maiores momentos de sua vida foi no acidente de um Boeing 767 da LaudaAir na Tailândia que abriu o reverso em pleno voo.

Reportes iniciais e da própria Boeing apontaram para erro humano, mas Niki não se deu satisfeito e confiava nos seus pilotos, e foi até o local do acidente fazer a investigação própria.

Niki Lauda investiga acidente © Car Throttle

Certo que foi uma culpa da Boeing e não de sua tripulação, Lauda foi até Seattle e cobrou da fabricante explicações. Inclusive afirmou que estava disposto a voar o Boeing 767 nas mesmas condições, sendo apenas eles e dois pilotos, que abririam os reversos em voo para ver o resultado, desafiando a fabricante que afirmava que a abertura do reverso não iria interferir no voo.

A Boeing negou o voo, então Niki Lauda obrigou-os a afirmarem publicamente que em tal situação ninguém iria sobreviver, e a fabricante assim o fez. No relatório final aponta a falha da aeronave e isenta os pilotos.

Pilotos assim fazem falta na aviação e nas corridas, vá em paz Niki!

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos