Morre o Comandante Murilo, o herói do voo sequestrado VASP 375

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Recebemos com pesar nessa quarta-feira, 26 de agosto, a informação sobre o falecimento do Comandante Fernando Murilo de Lima e Silva ou simplesmente Comandante Murilo, uma pessoa simples, como todo herói deve ser e que deixará saudades. Tivemos a oportunidade de encontrá-lo muitas vezes em eventos aeronáuticos e de ouvir muitas de suas incríveis histórias.

A notícia da morte foi compartilhada nas redes sociais por seu amigo Ivan Sant’Anna, autor do livro “Caixa Preta”, o qual dedica toda uma seção para narrar com primor cada detalhe daquele dia em que o comandante Murilo reverteu uma situação de sequestro e tornou-se um herói. A causa da morte foi falência múltipla de órgãos, segundo a família, embora Sant’Anna tenha mencionado a COVID-19.

O dia de herói

No dia 29 de setembro de 1988, o comandante Murilo foi o responsável pelo voo VASP 375, de Porto Velho para o Rio de Janeiro com escalas em Cuiabá, Brasília, Goiânia e Belo Horizonte. O avião era um Boeing 737-300.

Já na etapa final, quando o avião voava entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro, o passageiro identificado mais tarde como Raimundo Nonato Alves da Conceição levantou de seu assento e ameaçou a tripulação com uma arma de calibre .32 que levava consigo. Tendo acessado a cabine, Conceição matou o co-piloto Salvador Evangelista com um tiro na nuca, baleou outros dois tripulantes e ordenou que o comandante Murilo desviasse a aeronave para Brasília.

“Nós vamos pra cima do Palácio do Planalto. Nós vamos jogar o avião lá. Eu quero matar o Sarney!”, dizia o homem. Investigações posteriores revelaram que sua revolta nasceu depois que ele perdeu seu emprego como tratorista em meio a uma forte crise nos anos 1980. Imediatamente, ele culpou o Presidente da República e queria se vingar.

Vendo o destempero do homem, o comandante Murilo usou de muita negociação e comandou um arriscado tunneau com seu Boeing 737, manobra em que a aeronave gira sobre seu eixo, chegando a ficar de cabeça para baixo, com intuito de desequilibrar o sequestrador. Mais tarde, acompanhado por um caça Mirage e próximo ao planalto central, ele realizou outra manobra arriscada, uma descida em parafuso visando descer rapidamente de 9.000 pés até uma atitude ideal para pouso em Goiânia, onde chegou já quase sem combustível, após convencer o sequestrador a seguir em outra aeronave.

Corpo do copiloto sendo retirado

Uma vez no solo, ainda não estavam todos a salvo, já que ainda havia um homem armado a bordo pedindo outro avião, menor, para seguir com seu plano. Mas os planos da Polícia Federal eram outros e ele acabou baleado com três tiros, morrendo dias depois.

A história é longa, recomendamos o excelente livro “Caixa Preta” de Ivan Sant’Anna que vai te envolver nesse tema. Após o episódio, o comandante Murilo foi condecorado com a Ordem do Mérito Aeronáutico.

Descanse em Paz Comandante!

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Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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