Motores Trent 1000 dos Boeing 787 demandam troca antecipada de bombas de combustível

Bombas de combustível instaladas nos motores Rolls Royce Trent 1000, que equipam os Boeing 787, estão tendo que ser trocadas antes do tempo previsto no manual do fabricante do motor.

De acordo com as observações contidas na PAD 20-097, a EASA destaca que foi observada uma redução inesperada no desempenho da bomba de combustível, durante o teste de unidades com elevada vida útil.

O exame dessas bombas de combustível, após desmontagem, identificou que o desgaste relacionado à vida útil de componentes da bomba está causando deterioração na eficiência da bomba. O efeito da perda de eficiência da bomba de combustível é mais pronunciado em motores com configuração de potência elevada (higher rated).

A EASA destaca que se essa condição não for corrigida, ela pode levar à redução da potência (thrust) do motor, possivelmente resultando em redução no controle da aeronave.

Preocupação para operadoras

Segundo o Flight Global, a British Airways, que possui trinta 787-8 e -9, manifestou preocupação, depois que o problema foi levantado, de que bombas mais antigas com fluxo de combustível deteriorado talvez não sejam capazes de sustentar a potência máxima continua e, portanto, não sendo capazes de atingir o padrão mínimo operações ETOPS.

A aérea do Reino Unido destaca que, com recursos de manutenção restritos por conta de redução de pessoal e medidas em resposta à crise do novo coronavírus, além dos desafios apresentados para os fornecedores atenderem à demanda por bombas ajustadas, a aérea indicou que os prazos estabelecidos pela EASA para atender ao cumprimento da diretiva, com a troca de certas bombas com elevado tempo de vida útil, poderá ser difícil de ser cumprido.

Ainda segundo o Flight Global, a EASA negou a solicitação da British Airways para usar o  “despareamento” de motores (engine de-pairing), como estratégia para estender o limite de tempo para atendimento da diretiva.

A EASA ressalta que o risco associado à degradação da bomba não se aplica apenas a aeronaves que possuem ambas as bombas acima do limite de vida útil (ambos os motores), porque uma aeronave com uma única bomba com elevada vida útil pode ficar operando com desempenho degradado caso o outro motor falhe, independentemente do estado da sua bomba.

Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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