Na contramão, Thai Airways pode reativar seus Airbus A340-600s após seis anos parados

Foto Aero Icarus (CC BY-SA 2.0)

Atravessando uma severa crise e precisando recorrer a qualquer saída viável economicamente, a tradicional empresa tailandesa Thai Airways sugere que vai reintroduzir seus Airbus A340-600, que já estavam aposentados havia cinco anos.

Os seis aviões do modelo que a empresa possui estão estacionados no Aeroporto Internacional U-Tapao Rayong Pattaya, a sudeste de Bangkok, desde 2014, aguardando por compradores. No entanto, com as contas de manutenção se acumulando, e nenhum sinal de clientes, a empresa acredita que economia de reintroduzir aviões à frota pode funcionar.

A ideia surge após o plano de crescimento de frota ter sido recusado por sua diretoria em setembro, com a intenção de reduzir os custos, após um intenso escrutínio sobre sua dívida de US$ 3,2 bilhões e perdas crescentes.

Moderniza ou vai como está

O vice-ministro dos Transportes, Thaworn Sennam, informou que a companhia aérea vai instalar novos interiores no A340 e colocar a aeronave em rotas de longo curso, de acordo com um artigo publicado pela Forbes.

Mas há um agravante.

Os interiores dos A340 são de 2005-2008, e precisariam de um grande investimento para atualiza-los ao padrão que a empresa emprega nos A350 e 787s. Além do custo, há a questão do prazo. Do projeto à instalação, o processo inteiro poderia levar mais do que um ano, impactando a urgência da empresa. Por outro lado, manter como estão poderá resultar em avaliações negativas dos passageiros. É uma situação complicada para a diretoria da empresa resolver.

Além disso, os quatro motores Rolls-Royce Trent 500, combinados com a aerodinâmica envelhecida da fuselagem, trariam maior consumo de combustível; e mandar dinheiro pelo ralo é tudo o que a empresa não precisa nesse momento.

Captura do Google Earth mostrando os A340-600 da Thai parados

Decisão da Thai iria na contramão do mundo

A maioria das companhias aéreas estão em processo de aposentadoria de suas frotas de A340 e, graças às alternativas mais eficientes de bimotores, os quadrimotores têm acabado como sucata.

Se esta ideia é séria ou não, isso será elucidado em breve. De qualquer forma, a Forbes fez duras críticas, dizendo que, no passado, os Airbus A340 da Thai foram um exemplo de “incompetência de gestão” devido à sua operação de curta duração antes de serem mantidos ociosos por anos, custando milhões em manutenção.

Nobfim do dia, o que a Thai Airways precisa nesse momento é se concentrar em obter lucro e se beneficiar de aeronaves mais novas de sua frota. Recolocar os custosos quadrimotores de volta na frota pode ser um tiro no pé.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.