“Não use linhas aéreas como cobaias”, alerta CEO da Emirates às empresas de motores

Enquanto a maior compradora mundial de jatos de corpo largo (dois corredores) analisa quem vai fornecer os motores a seu pedido de jatos Boeing 787, seu CEO teceu críticas às fabricantes de motores e afirmou que a Rolls-Royce deve resolver urgentemente seus problemas de desempenho.

Avião Boeing 787-9 Emirates
Concepção artística do 787-9 da Emirates – Imagem: Boeing

A Emirates concordou em comprar seus primeiros 787 Dreamliners em um acordo de US$ 9 bilhões no Dubai Airshow na quarta-feira (20/11), sem especificar qual motor seria o escolhido, enquanto reduzia o pedido do modelo 777X atrasado da fabricante de aviões americana.

O 787, que pode utilizar tanto o motor da Rolls-Royce quanto o da rival GE Aviation, começará a ser entregue à Emirates em 2023, um ano mais tarde do que um plano de tentativa compra delineado há dois anos.

Isso dá à Rolls-Royce mais tempo para resolver os problemas de durabilidade em seus motores Trent 1000, antes que a Emirates acredite que uma competição real possa ser realizada com a GE.

“A Rolls teve vários alertas para acordar e eles realmente precisam se resolver. Acho que o despertador tocou várias vezes”, disse o presidente da Emirates, Tim Clark, no Dubai Airshow.

“Se eu estivesse no conselho, procuraria reconhecer os problemas (…) e lidar com eles imediatamente, de maneira significativa, vigorosa e promover mudanças”, disse ele a repórteres.

Segundo informações da Reuters, enquanto Tim faz o alerta, um porta-voz da Rolls-Royce disse estar orgulhoso de que a Emirates tenha escolhido encomendar 50 Airbus A350, equipados com o motor Trent XWB da Rolls-Royce, em um acordo anunciado esta semana.

“Estamos confiantes na confiabilidade e desempenho de nossos motores e em nosso compromisso de atender aos altos padrões esperados por nossos clientes”, disse o porta-voz.

Avião Emirates Airbus A350-900
Concepção artística do A350-900 da Emirates – Imagem: Airbus

Ainda há tempo para a Rolls-Royce

Tim Clark disse que a situação na Rolls é “recuperável” se o conselho agir rapidamente e aceitar os problemas que estão enfrentando. “Com a reputação que a Rolls possui de engenharia de qualidade e excelência no passado, eles devem restaurar isso como um padrão-ouro”, disse ele.

A versão do 787 movida pelos motores Rolls-Royce foi atingida por repetidos problemas técnicos, levando a receber críticas das companhias aéreas.

O executivo-chefe da fabricante de motores, Warren East, disse em 7 de novembro que a empresa investiria mais em peças e motores de reposição para reduzir o tempo em que as aeronaves são mantidas fora de operação enquanto as lâminas das turbinas são substituídas.

Irritado com as fabricantes de motores

O presidente da Emirates tem sido um grande crítico das fabricantes de motores, tendo dito em setembro que não pegaria novos aviões a menos que seus motores estivessem prontos, afirmando que estava “um pouco irritado” com os atrasos da Rolls e da GE.

A GE produz os enormes motores GE9X do 777X, aeronave que a Boeing adiou sua entrada em serviço devido, em parte, a problemas com seus motores.

Clark disse que os fabricantes de motores devem oferecer apenas tecnologia madura o suficiente para trabalhar de maneira confiável nas condições exigentes da Emirates, acrescentando: “Não use (linhas aéreas) como cobaias”.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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