Neeleman confirma o nome de sua nova empresa aérea e revela mais detalhes

Breeze Airways será mesmo o nome da mais nova empresa aérea start-up dos EUA, mais uma companhia a ser lançada pelo fundador da Azul e empresário David Neeleman.

Avião Embraer E195 Breeze Neeleman
Concepção gráfica da pintura da Breeze

O novo nome se confirma após meses de especulações sobre se a companhia aérea de Neeleman seria chamada de “Moxy” – o codinome inicial dado ao projeto quando ele iniciou seu esforço para lançar a empresa.

“Moxy era um nome que eu sempre gostei”, disse Neeleman em uma entrevista. “Na verdade, eu ia nomear JetBlue Moxy anos atrás, mas não o fiz.”

Alguém saiu na frente

Desde então, o gigante hoteleiro Marriott escolheu Moxy como uma de suas mais recentes marcas de hospedagem. “O Marriott conseguiu um hotel em Moxy e não acho que eles fossem necessariamente a favor de usarmos esse nome”, disse Neeleman. “Então, para evitar algo complexo, acabamos por usar o novo nome.”

Mas Neelman disse que não importa o nome. Assim como suas outras start-ups, é o desempenho da nova companhia que terá que conquistar os viajantes. “O nome não faz você, você faz o nome”, disse Neeleman. “Vamos fazer algo especial.”

Neeleman confirmou o nome nessa sexta-feira (07), quando a empresa solicitou seu certificado de operação de companhia aérea na agência de aviação Federal Aviation Administration (FAA) e no Departamento de Transporte (DoT) dos EUA.

Previsão de estreia

Se tudo correr conforme o planejado, Neeleman disse que espera que a Breeze esteja voando com passageiros pagantes até o final do ano. Mas, ele acrescentou, é muito cedo para dizer exatamente quando será o voo inaugural.

“Certamente não estamos definindo uma data definitiva porque temos um processo de certificação da FAA”, disse Neeleman. “Tenho total confiança de que faremos isso. Só não posso lhe dar a data exata.”

Neeleman é mais conhecido nos EUA por ajudar a fundar a JetBlue, de longe a start-up mais bem-sucedida do país desde a desregulamentação da aviação. Mas Neeleman também ajudou a lançar a WestJet do Canadá, a Azul no Brasil e a Morris Air nos Estados Unidos – essa última adquirida pela Southwest em 1993.

Agora, a Breeze se tornará a quinta marca aérea de Neeleman.

David Neeleman

Voos para onde?

Além da data de início imprecisa, também não está claro para quais cidades a Breeze voará no começo de seu serviço.

A empresa já revelou que sua sede será em Salt Lake City, mas Neeleman se recusou a dizer quais cidades podem estar no mix do novo serviço. “Estamos trabalhando em alguns aeroportos e veremos quem realmente comparecerá à festa”.

Perguntado se a Breeze provavelmente co,eçaria com um conjunto de destinos em todo o país ou adotaria uma abordagem mais regional, Neeleman disse que “provavelmente mais regionalmente. Não queremos nos espalhar demais. ”

O que se sabe é que a Breeze pretende se concentrar em rotas nas quais será a única operadora que oferece serviço sem escalas, provavelmente focando em aeroportos secundários à medida que desenvolve sua rede.

Neeleman acredita que existem centenas de mercados prontos para o serviço sem escalas da Breeze.

Concentração em grandes hubs

Assim como fez no Brasil quando iniciou a Azul, Neeleman apontou que as maiores companhias se concentram cada vez mais na construção de seus principais aeroportos centrais (hubs).

Isso deixa os viajantes – especialmente os clientes de lazer – com menos opções para voos sem escalas entre mercados menores e médios.

Para capitalizar isso, a Breeze disse em seu plano de negócios inicial que pretendia voar para mercados carentes de aeroportos secundários em grandes áreas metropolitanas. Aeroportos como Providence (PVD), Oakland (OAK), Gary (GRR) e Mesa / Phoenix (AZA) podem ser considerados nessa categoria.

“Há um monte de restos que os grandes deixaram”, disse Neeleman. “Eles deixaram muitos pares de cidades, deixaram muitas outras coisas intocadas. Acho que podemos preencher esse vazio com os dois tipos de aeronaves que temos por vir.”

Airbus A220 e os Embraer 195 da Azul

Avião Embraer E195 Azul

A Breeze pretende operar o Airbus A220, mas não se espera que eles cheguem até 2021.

Enquanto isso, Neeleman encontrou uma oportunidade de colocar a Breeze em operação mais cedo, alugando o Embraer E195 da brasileira Azul, que está tentando se desfazer dos aviões em função do recebimento dos jatos 195-E2 de nova geração.

A Breeze atualizará as cabines desses aviões, configurando-as com 118 a 122 assentos, disse Neeleman. Os A220 da companhia aérea podem ter de 118 a 145 assentos, dependendo de como a Breeze escolher configurá-los.

Embora Neeleman não tenha fornecido detalhes sobre o potencial mapa de rotas da Breeze, ele forneceu informações sobre o tipo de horário que a companhia aérea poderia executar com essas aeronaves.

“Acho que poderíamos servir mercados dois dias por semana ou quatro dias por semana. Ou poderíamos servi-los diariamente”, disse Neeleman, explicando que a frota de E195 e A220 da companhia não exigiria alta utilização diária – ou seja, horas de voo por dia – para que a Breeze fosse rentável. “Depende apenas da época do ano. Haverá mercados que serviremos no verão e outros mercados que serviremos no inverno.”

Avião Airbus A220-300
Airbus A220-300 – Imagem: Airbus

Modelo se assemelha às low-costs

Essa estratégia é comum em empresas de baixo-custo dos EUA, como Spirit e Frontier. Mas talvez seja mais próxima da Allegiant Air, que deixou sua marca primeiro ao voar sem escalas de mercados muito pequenos para destinos de lazer, como Las Vegas e locais da Flórida. Muitas de suas rotas operam com apenas dois ou três voos por semana, geralmente sazonalmente.

“Lucas Johnson, nosso diretor comercial, veio da Allegiant”, disse Neeleman. “Ele desenvolveu e começou 400 rotas por lá. Ele realmente conhece o seu negócio. Ele sabe como fazê-lo, e temos muitos especialistas. Estamos muito confiantes de que encontraremos muitos mercados.”

Além disso, Neeleman disse que a Breeze procurará outras maneiras de manter seus aviões voando durante períodos lentos. “Nós apenas fazemos o que a oportunidade traz”, disse ele. “Não apenas serviço programado, mas fretamentos para times de futebol americano e basquete. Para uma aeronave de baixa utilização, há muitas coisas que você pode fazer. Não precisa ser a coisa tradicional.”

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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