Neeleman explica porquê escolheu o Airbus e não o Embraer para a Moxy

David Neeleman anunciar uma nova aérea não é uma grande novidade vindo de quem fundou a Morris Air, WestJet, JetBlue e a Azul. Porém escolher o Airbus A220 ao invés do Embraer E2 para a futura Moxy foi algo que surpreendeu a todos.

Neeleman num simulador de Embraer E-Jet

Desde a escolha de abrir uma nova empresa e ter uma frota exclusiva com o A220 (antigo CSeries da Bombardier), muitos questionaram a decisão de Neeleman. Nascido em São Paulo e criado nos EUA, foi o cliente lançador do Embraer E190 com a JetBlue e agora será o cliente-lançador do E195-E2 na Azul.

O empresário, que sempre prezou pela inovação e conforto do cliente, viu suas empresas conquistaram o público com os E-Jets na configuração 2-2 equipados com TV ao vivo. Porém a Moxy não é igual às anteriores e por isso o A220 é a aeronave ideal.

Em um podcast realizado pelo portal Airinsight, Neeleman falou sobre escolher o A220-300 ao invés do E195-E2: “Eu acho que é o alcance, o alcance é algo importante, é o motivo número 1. Depois disso a questão de poder misturar as classes. Nós temos uma configuração 2-3 e podemos mudar pra 2-2 sem mudar os bagageiros. Se você for do 2-2 pro 2-1 no Embraer você tem que mudar os bins, o que é caro”

A220 também foi escolhido pela JetBlue

“Nós teremos aviões que serão intercambiáveis na seção que vai da saída de emergência para frente. Poderemos colocar todos 50 assentos de econômica, ou 22 assentos totalmente reclináveis que nem no JetBlue Mint, ou ainda assentos de primeira-classe com 1 metro de pitch. Teremos essa flexibilidade e podemos fazer isso em um dia e meio”, disse David.

“Não são apenas assentos. Não se mexe em parte estrutural para a mudança e isso nos dá uma flexibilidade tremenda”, conclui o empresário, que citou ainda que o A220 pode voar por mais de seis horas, de costa a costa (dos EUA), ou da costa leste para a Europa ou ainda da costa oeste para o Havaí.

Com isso a Moxy poderá oferecer um serviço melhor para os passageiros premium, com assentos maiores. Mas o principal ponto é realmente o alcance, já que a Moxy irá focar em voos ponto-a-ponto e não com conexões/escalas.

Por último Neeeleman destaca as vantagens do Embraer: “Estamos muito felizes na Azul com os E-Jets, seremos os clientes-lançadores do E195-E2. Mas é um avião que não dá para voos transcon (costa a costa)”.

Interior do E175 da Delta: detalhe para a configuração 1-2 que muda para 2-2 e diferença nos bagageiros no lado direito

Vale lembrar que nos EUA o Embraer E175, o best-seller queridinho das regionais, possui configuração 1-2 para sua primeira-classe na American, Delta e United Airlines, exatamente para atender o público de negócios.

Com toda certeza David analisou o custo de trocar estes assentos de primeira classe numa frota que terá diversas configurações na Moxy.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos