Neeleman: Nova aérea voará para o Brasil com o Airbus A220

Após muito mistério, Neeleman começou a revelar o detalhes da sua nova companhia aérea, que tem o codinome de Moxy Airways (e que ele adiantou que não será o nome final da empresa). Dentre os detalhes o que mais chama a atenção são as rotas únicas e feitas com o Airbus A220.




Avião Airbus A220

A empresa será a 5ª a ser fundada pelo brasileiro-americano David Neeleman, que fundou a Morris Air (vendida à Southwest Airlines), WestJet, JetBlue e Azul Linhas Aéreas. Além destas, o empresário tem grande participação acionária e decisória na TAP Air Portugal e na francesa Aigle Azur.

E a sua aposta continua sendo nos “filhos mais velhos”. A Azul será uma alimentadora da nova empresa, e para Neeleman isso é algo que só ele pode fazer: “Tem coisas que eles não podem fazer por causa da sua estrutura. Eu posso porque eu sou dono da Azul, e eles podem me dar apoio no Brasil. Eles podem alimentar os meus voos e fazer algo que não fariam para outros porque eu controlo a companhia”.

Airbus A220-300: o trunfo

Outra parte do plano estratégico para a “Moxy” vai ser apostar em rotas que as concorrentes só fazem atualmente com escalas. “Eu duvido que teremos alguma rota com competição direta”, declarou Neeleman.

E para isso ele utilizará todo o potencial do Airbus A220-300, conhecido anteriormente como  Bombarider CSeries CS300. A nova companhia encomendou 60 aeronaves do modelo em julho com opção para mais 60 unidades.




A empresa irá utilizar a aeronave para voar dos EUA para a Europa e América do Sul, evitando os hubs dos competidores. A capacidade do A220 segundo Neeleman é muito boa e “pode decolar de pistas bem curtas e voar por até 11 horas”.

Um dos exemplos utilizados por Neeleman é voar da Flórida para cidades na parte Norte do Brasil (não confundir com a região Norte). O foco do mercado será o fluxo de turistas e de passageiros que visitam familiares e amigos.

Porém a única cidade que ele citou na entrevista à Dennis Schaal do portal Skift foi Scranton, na Pensilvânia, a 200km de Nova Iorque. Para Neeleman será possível voar pela metade do preço (sem mencionar rotas mas dando a entender nos voos internacionais) devido à economia do A220, o qual a companhia terá unidades próprias e via leasing.

David Neeleman

Atendimento somente eletrônico, da reserva ao check-in

Outro ponto destacado por Neeleman foi a automatização da nova companhia, que terá seu centro de TI baseado em Salt Lake City no estado do Utah. Segundo David, gigantes como Amazon e Uber raramente recebem ligações de clientes, já que a parte de suporte de seus websites/apps é muito bem feita e consegue resolver tudo.

“Você não tem que falar conosco e não será possível ligar para nós. Será possível para você chegar até nós através de um chat, e daí te ligaremos. Não será necessário ligar para nós porque tudo será funcional”, afirma Neeleman.

O contato inicial se dará desta maneira, com chat para depois a aérea ligar para o passageiro. Já a parte de reservas, alterações e cancelamentos será toda automatizada pelo app da empresa.

E isso nos trás a outro questionamento: check-in. Segundo Neeleman, os passageiros que chegarem no aeroporto sem ter feito o check-in terão que fazer pelo smartphone/computador, que será a única maneira. Nos EUA nenhuma lei obriga a companhia a ter check-in presencial, tanto que muitas cobram por atendimento no aeroporto.

Perguntado se a falta do elemento humano poderia afastar clientes, Neeleman foi direto: “Não acho que as pessoas querem pegar fila para falar com alguém”.




Esqueça da Moxy!

Desde o anúncio do seu “novo filho”, surgiu o nome Moxy (que até agora aparenta ser apenas o nome jurídico da empresa). Na verdade este era para ter sido o nome da JetBlue, mas não foi possível porque a rede de hotelaria Marriott detém os direitos da marca Moxy Hotels.

Eu poderia colocar o nome de Lixo nesta companhia e o povo ainda iria adorar por causa da maneira que iremos tratá-los

Rotas para o Brasil e Europa, na ponta do lápis

Baseados na declarações de Neeleman, de dados da Airbus e utilizando informações de voos reais, analisamos quais as rotas internacionais que o A220-300 pode entregar à nova empresa.

  • Saindo de Fort Lauderdale (norte de Miami): Fortaleza, Teresina, São Luís, Belém, Macapá, Manaus e Boa Vista
  • Saindo de Orlando-Sanford (norte de Orlando): Teresina, São Luís, Belém, Macapá, Manaus e Boa Vista
  • Saindo de Scranton: Dublin, Londres, Lisboa e Madri

Aeroportos mais afastados como de Orlando-Sanford, Scranton e Fort Lauderdale oferecem tarifas mais baixas para as aéreas e passageiros. Estes aeroportos têm sido usados de maneira intensa por aéreas low-cost, como a Norwegian, e turísticas como o grupo TUI.

Porém nem tudo são flores: a Azul atualmente é feeder da irmã JetBlue, o qual Neeleman fundou mas não tem mais grande participação na empresa. A “Moxy” irá concorrer diretamente com ela, e também com a United Airlines, acionista da Azul e a qual também mantém parcerias de codeshare e alimentação.

O que nos trás aos “rivais” de Neeleman: os irmãos Efromovich da Avianca. Rivais devido à acirrada disputa para comprar a TAP, e que hoje concorrem no mercado nacional. A Avianca é uma antiga membro da Star Alliance, fundada pela United e que hoje recebe muitos passageiros da companhia dos Efromovich.

E neste momento Avianca e United negociam um acordo de joint-venture para fazer frente ao acordo da LATAM e American. Porém este acordo também seria um investimento da United na companhia latina, o que poderia afastar a Azul da United. E o que tudo indica, tudo está indefinido nesta disputa!

Com informações do portal Skift.




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Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos