Neeleman pode vender sua participação na TAP para uma grande companhia aérea global

O brasileiro David Neeleman, fundador da brasileira Azul Linhas Aéreas, estaria preparando a sua saída da TAP Air Portugal, após atritos com o governo português.

Neeleman TAP
David Neeleman segura uma maquete do A330 da TAP © Gonçalo Rosa da Silva – Expresso.pt

A TAP é uma das mais tradicionais empresas aéreas do mundo e irá completar, no ano que vem, 75 anos de idade. Um dos capítulos mais importantes de sua história aconteceu em 2015, quando o Governo Português decidiu por privatizar a companhia, após anos seguidos de prejuízos recordes. À época, o consórcio Atlantic Gateway, de David Neeleman e Humberto Pedrosa, venceu uma acirrada disputa com o grupo Synergy, de Germán Efromovich (que, naquele momento, era controlador da Avianca), e acabou abocanhando uma grande fatia na empresa portuguesa.

Pelo plano original, o Atlantic Gateway ficaria com 60% das ações da companhia e o governo português os restantes 40%, dando a David Neeleman o controle da empresa. Mas, por pressão política, o governo acabou dando um passo atrás e propôs uma nova divisão do capital, que acabou prevalecendo até os dias atuais: 50% para o governo, 45% para Neeleman e 5% para os empregados. No entanto, apesar de não ter o controle da empresa, toda a gestão ficou a cargo do grupo de Neeleman.

O que houve desde então?

Desde então, a TAP Air Portugal tem visto um crescimento surpreendente, com uma forte modernização da frota, expansão de rotas, novos produtos e contratação de pessoal.

Para o comando, Neeleman trouxe seu braço direito, Antonoaldo Neves, que deixou a presidência da Azul, para ser CEO da TAP. Tudo estava muito bem, até que, ano passado, a companhia voltou a registrar prejuízo – de um lucro de €21 milhões de euros em 2017, o resultado foi para um negativo de €118 milhões em 2018. É certo que boa parte deste resultado negativo deveu-se ao investimento na própria empresa em busca do crescimento, somado com as alta do dólar e do combustível, além da desvalorização do real brasileiro, já que o Brasil é o principal mercado internacional da companhia.

Apesar de esperado, foi o suficiente para o governo elevar a voz e questionar a estratégia da empresa. Pura política, cujos bastidores são difíceis de entender e compreender, mas que podem afetar o futuro da empresa. Outros conhecidos pontos de conflito entre o governo português e Neeleman têm relação com a participação nos lucros para funcionários, futuro lançamento da companhia na bolsa e o uso do Aeroporto de Lisboa. Este último já opera na sua capacidade máxima, e deverá ser expandido juntamente com a abertura para voos comerciais do Aeroporto de Montijo, do outro lado do Rio Tejo.

Neeleman tem sido a favor de fortalecer o hub de Lisboa e tem cobrado o governo português para fazer isto rápido, juntamente com outras aéreas. Por outro lado o governo português tem atuado muito devagar, na visão do empresário, para realizar a expansão, que deve ser concluída apenas em 2028, na melhor previsão.

United, Lufthansa, BA ou Air France?

Airbus da TAP pousa em Lisboa, que sofre com a falta de espaço para expansão

Com todo este atrito, o empresário, que fundou a WestJet, JetBlue e a Azul, já pensa em se livrar do estresse e deve vender a sua participação no negócio. Segundo o periódico português Jornal de Negócios, Neeleman está conversando com a United Airlines e as europeias Lufthansa, British Airways e Air France ver se consegue um acordo. Segundo o jornal a expectativa é que a venda seja concluída até março do ano que vem e que o governo português tem apoiado a idéia.

A nossa visão, caso a empresa seja realmente vendida, é que seria interessante uma aquisição em modelo de joint-venture, pela United e a Lufthansa.

Apesar de todas elas participarem da mesma aliança, a Star Alliance, esse não seria o fator preponderante. Na realidade, pelo que se observa, a United tem apostado forte no mercado latino-americano, enquanto que a TAP tem uma penetração forte no Brasil a partir da Europa. Além disso, a aérea americana controla a Copa Airlines, tem participação na Azul e reafirmou seu investimento na Avianca Colômbia, mesmo após o calote de Efromovich.

Já a Lufthansa, que recentemente perdeu a falida Adria Airways, pode querer investir novamente na Europa, principalmente na península Ibérica em face a compra da Air Europa pelo grupo IAG, formado pela Iberia e British Airways.

Se 2019 foi um grande ano de compras inesperadas, 2020 promete seguir a tendência na aviação globalizada.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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