Nessa semana, Boeing tem o desafio de converter o pedido de 40 787 da Emirates

Dias depois de Stanley Deal assumir o comando da Boeing Commercial Jets, no mês passado, ele já estava voando pelo mundo para se reunir com os chefes das companhias aéreas mais abaladas pelos acidentes que mergulharam o fabricante na crise.

Segundo o Financial Times, Deal passou o aniversário de um ano do primeiro acidente do 737 Max com Rusdi Kirana, fundador da Lion Air da Indonésia e pediu desculpas pessoalmente ao diretor executivo da Ethiopian Airlines, Tewolde Gebremariam, em Adis Abeba, o local do segundo desastre.

Teste de Dubai

Tentar fazer as pazes não é o limite. Ele desempenhará um papel fundamental que vai definir como a Boeing emerge de um longo pesadelo que abalou a confiança em seu produto mais importante e interrompeu as operações para dezenas de companhias aéreas. Sua próxima tarefa é acalmar as companhias aéreas com a saída abrupta de seu antecessor, Kevin McAllister.

A crise tem colocado a estratégia de produtos da empresa em desordem, enquanto Airbus acumula vendas no mercado. E se a situação da Boeing piorar — um cenário plausível — Deal pode acabar assumindo a culpa como McAllister, que foi deposto em 22 de outubro após uma tensa sessão de diretoria.

Espremendo fornecedores

Deal, em seu trabalho anterior como chefe da Boeing Global Services, ajudou a fundir uma extensa oferta de produtos em uma divisão única com US$ 17 bilhões em vendas. Para isso, teve que forçar os fornecedores a reduzir sua margem, abalando relacionamentos de longa data e ajudando a provocar uma megafusão entre a United Technologies e a Raytheon.

Antes disso, ele era um conselheiro próximo de Ray Conner, antecessor de McAllister na Boeing Commercial Airplanes. As funções de Deal supervisionando fornecedores e, em seguida, os serviços ao cliente não lhe deram um papel de destaque quando o 737 Max foi desenvolvido.

Agora ele está tentando reparar as relações com os clientes, enquanto a Boeing vê bilhões de dólares em pedidos de reembolso de companhias aéreas e locadores. Com os custos relacionados ao Max em US$ 9 bilhões e aumentando, a fabricante de aviões não pode ser excessivamente generosa com os clientes. Mas empregar táticas de negociação senão pode perder muito mais para a Airbus.

A conta-chave de Dubai

Uma conta-chave em Dubai é a Emirates, a maior transportadora de longo curso do mundo. A companhia aérea tem um compromisso não confirmado de comprar 40 Boeing 787 Dreamliners, além disso a companhia aérea encomendou 150 dos próximos 777X, que foi atingido por atrasos relacionados ao motor. O presidente da Emirates, Tim Clark, tem sido muito crítico às falhas dos fabricantes de aviões e fornecedores de motores.

Deal disse sábado que a Boeing ainda está em conversações com a Emirates sobre a encomenda do 787, no valor de cerca de US$ 14 bilhões, e no 777X, que é agora tem um objetivo de início das entregas para 2021.

Perdendo muitas vendas para a Airbus e vendo seu principal produto numa crise sem precedentes, a Boeing precisa de uma boa notícia durante o Dubai Airshow.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.