No início, a gigante Emirates teve que se apoiar na PIA para sobreviver

A Emirates é uma das principais companhias aéreas do mundo, mas poucos imaginam como ela nasceu ou que seu começo não foi fácil. Quando a pedra fundamental estava para ser colocada, a Pakistan International Airlines, estava disposta a dar uma mão e ofereceu o apoio crucial à companhia aérea emiradense. Desde então, elas têm sido parceiras próximas.

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Foto de Aero Icarus via Wikimedia Commons

A Emirates foi fundada em 1984 como uma resposta do governo de Dubai ao corte das rotas da Gulf Air para a cidade emiradense. Ao perder sua conectividade regional, o governo de Dubai decidiu criar sua própria companhia aérea, a fim de garantir as ligações importantes, num momento em que os Emirados Árabes estavam em franco crescimento. Mas, com um financiamento limitad e a falta de conhecimentos críticos para o negócio e, obviamente, de aeronaves, o desafio era grande.

Ao time constituído para estabelecer a empresa emiradense foi dada a ambiciosa missão de lançar uma companhia aérea para Dubai em apenas cinco meses e com financiamento inicial de apenas US$ 10 milhões. Além disso, a instrução do governo local foi clara, a empresa deveria “ser boa e ganhar dinheiro”.

Mas sem funcionários ou mesmo aeronaves, como eles poderiam criar uma nova companhia aérea tão rapidamente? Aí entrou a Pakistan International Airlines (PIA).

O que a PIA trouxe para a Emirates?

Com sua nova equipe, a Emirates abordou a PIA e expôs seu desafio de criar uma nova companhia aérea em tempo recorde, bem como seu limitado orçamento de US$ 10 milhões. A companhia paquistanesa então ofereceu um plano. Pelo valor que a emiradense possuía, a PIA alugaria duas aeronaves, daria apoio administrativo e assistência de engenharia na operação da nova companhia aérea

As duas aeronaves que a Emirates alugou naquele momento foram um Boeing 737-300 e um Airbus A300B4-200. Essas primeiras aeronaves seriam usadas para abrir uma rota de Dubai para Karachi, no Paquistão.

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Emirates com seu primeiro 727 – foto de Ken Fielding via Wikimedia Commons

Mais tarde no primeiro ano, foram adicionados voos para Mumbai e Delhi, na Índia. A partir dali, eles também voariam para Amã, Colombo, Cairo, Daca, Male, Frankfurt, Istambul, Damasco, Jeddah, Kuwait nos cinco anos a seguir.

Os dois aviões eram operados pela PIA, mas com a pintura da Emirates. Como a Emirates ainda não tinha tripulação, eles seriam pilotados pelos pilotos da PIA, assim como os comissários também seriam paquistaneses. Com o treinamento adicional fornecido pela PIA, novos membros da tripulação seriam lentamente recrutados pela Emirates.

Chegada dos 727

Com o negócio dando certo, a Emirates também receberia um apoio adicional do governo de Dubai, que chegou na forma de dois Boeing 727 alugados.

No entanto, ela não teria sua própria frota aérea até 1987, quando a primeira aeronave foi adquirida; era um Airbus A310, com o qual foi aberta a rota para Londres no final do mesmo ano. Para efeito de comparação, hoje são seis voos por dia com A380 para a capital inglesa.

Foto de Konstantin von Wedelstaedt via Wikimedia Commons

A Emirates teve um sucesso fantástico e se tornou um dos maiores players do setor de aviação, mas não podemos esquecer seu humilde começo e o suporte que a PIA deu desde o início.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.