Norwegian Air Argentina apresenta 1ª aeronave e almeja Brasil

Em cerimônia realizada no Aeroporto de Ezeiza na capital argentina de Buenos Aires, a Norwegian Air Argentina apresentou a sua primeira aeronave, um Boeing 737-800, que marca a chegada da companhia no mercado doméstico da América do Sul.




A low-cost norueguesa cresceu de maneira vertiginosa na Europa, onde expandiu suas bases por quase todo o continente, desde Londres até nas Ilhas Canárias. Com a abertura do mercado aéreo na Argentina com a posse do presidente Maurício Macri, a companhia decidiu apostar no mercado sul-americano.

A companhia iniciou no mês passado o voo regular entre Londres (Gatwick) e Buenos Aires com o Boeing 787 Dreamliner. E no dia 08 recebeu e apresentou a sua primeira aeronave da subsidiária argentina: o 737-800 de matrícula LV-HQH.

Assim como na matriz européia, a Norwegian mantém a tradição de estampar personalidades do país onde possui bases. O primeiro argentino a ser homenageado é o músico Astor Piazolla.

A cerimônia contou com o CEO da Norwegian, Bjørn Kjos, que declarou que a Argentina “é ideal para nossa estratégia de expansão” e que a companhia irá “colocar a Argentina mais próxima do mundo, e o mundo mais próximo da Argentina, além de empoderar os argentinos com a viagem aérea acessível, contribuindo para o desenvolvimento econômico e criando empregos.”

Os 737-800 da Norwegian Argentina estão configurados com 189 assentos, com Wi-Fi e a cabine Sky Interior da Boeing. A companhia terá bases nas cidades de Córdoba, Mendoza, Rosário e Salta, além de Buenos Aires no Aeroporto de Ezeiza, onde conecta com o voo para Londres. O primeiro voo doméstico na Argentina deve ocorrer até maio, ainda sem rota definida.

Brasil na proa?!

Durante seu processo de criação, a Norwegian Air Argentina solicitou 17 rotas para o Brasil a partir da Argentina. E agora, com a sinalização de que o governo estaria para uma aviação mais liberal, a companhia voltou a demonstrar interesse em voos para o Brasil além daqueles para a Argentina.

A aprovação do acordo de Céus Abertos entre o Brasil e os EUA foi um grande sinal para uma futura abertura total de capital estrangeiro nas companhias brasileiras. Segundo alguns jornais, a Norwegian voltou a conversar com o governo brasileiro sobre novas rotas e a possibilidade de instalar uma subsidiária no Brasil (menos provável). O conservadorismo por parte da União Europeia afastou a ideia de um acordo de céus abertos com o bloco europeu.

Os maiores empecilhos são as respectivas regulações: é proibido no Brasil a cobrança para refeição em voos de longa duração. A Norwegian por sua vez cobra pela refeição e bagagem despachada em todos os seus voos internacionais, inclusive para Buenos Aires, mas se o passageiro não optar por essas “cortesias” pode optar pela tarifa mais econômica, que chega a ser €100 libras (R$450) mais barata que a tarifa que inclui uma mala despachada de até 20kg e refeição.

Já para a abertura de uma “Norwergian Air Brasil”, o limite de 20% de capital estrangeiro nas aéreas brasileiras não satisfaz a Norwegian, que teria que procurar por empresários brasileiros e não teria o controle total da empresa.

Com informações da FlightGlobal e fotos por Juan Delguy.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos