Ao vender suas ações, bilionário Buffet provocou um duro golpe na United Airlines

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A notícia da venda de ações das quatro grandes empresas aéreas americanas por multi-bilionário provoca efeito dramático na estrutura financeira das empresas, segundo comentou a United Airlines.

Foto: United Airlines

As notícias de que Warren Buffett, considerado um dos mais bem sucedidos investidores do mundo, vendeu todas as ações das companhias aéreas que detinha em abril, indiretamente podem ter levado a United Airlines a deixar de obter US$ 2,3 bilhões neste mês.

Durante reunião anual no início deste mês, a Berkshire Hathaway, da qual Buffett é o CEO, revelou que o conglomerado havia vendido sua participação nas “quatro grandes” companhias aéreas americanas: American Arilines, Delta Air Lines, Southwest Airlines e United Airlines, divulgou o Business Insider.

Nesse mesmo momento, a United Airlines pretendia obter uma quantia de US$ 2,3 bilhões através da emissão de títulos no início de maio, a fim de refinanciar um empréstimo bancário realizado em março, porém, a ação não prosseguiu, uma vez que os investidores passaram a exigir uma taxa de 10% e proteções mais robustas para o caso de inadimplência.

Os investidores queriam melhores condições por que os títulos eram lastreados em aproximadamente 40% dos aviões da United, e estavam preocupados com a possibilidade de venda dos modelos mais antigos.

Segundo Gerald Laderman, Diretor Financeiro da United, o fato teve um efeito bastante dramático na estrutura de capital de todas as companhias aéreas de maneira não positiva.

A observação de Buffett, na reunião da Berkshire, de que o número de passageiros transportados pelas empresas pode não se recuperar totalmente nos próximos anos, deixando as companhias aéreas com “muitos aviões”, pode ter alimentado essas preocupações.

A emissão de títulos aconteceria na semana seguinte à notícia da venda das ações das companhias aéreas pela Berkshire, disse Laderman na conferência.

A United já havia começado a oferecer títulos a investidores e optou por terminar suas negociações com eles, declarou Laderman.

Quando a Empresa não obteve as condições que desejava, decidiu que não havia motivo convincente para seguir adiante e resolveu adiar a negociação, acrescentou.

Em abril, Oscar Munoz, então diretor executivo, e Scott Kirby, presidente, divulgaram uma mensagem aos funcionários da United Airlines na qual afirmaram que os planos do governo americano para as empresas aéreas não serão suficientes e que a companhia terá que reduzir de tamanho.

Entre os assuntos abordados na carta, os executivos deram como exemplo a movimentação de passageiros pela empresa nas duas primeiras semanas de abril desse ano. No período, menos de 200.000 pessoas voaram pela companhia, em comparação com mais de 6 milhões no mesmo período de 2019, uma queda de 97%. Eles acrescentaram que esperam voar com menos pessoas durante todo o mês de maio de 2020 do que em um único dia de maio de 2019.

Também no início de abril, Scott Kirby comentou sobre a retirada de serviço dos jatos Boeing 757 e 767 da empresa. Na ocasião Kirby não deu datas e nem detalhes, mas afirmou que o Airbus A320 deve ser o próximo da fila, após a família 757 e 767.

Segundo a United Airlines, os B757 e B767-400 serão armazenados por tempo indefinido. A empresa espera direcionar seus esforços para os Boeing 767-300, 777 e 787 nos voos internacionais de longo curso.

Assim, aparentemente, não é sem fundamento a cautela de investidores e de Buffet com relação ao futuro da United e do mercado de transporte aéreo no geral. Aposentadoria de aeronaves mais antigas e grande redução no movimento de passageiros são realidades bem concretas no atual cenário para a aviação comercial no mundo.

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Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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