Início Empresas Aéreas Nova Alitalia decola em junho, potencialmente rumo a um novo fracasso

Nova Alitalia decola em junho, potencialmente rumo a um novo fracasso

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Avião Boeing 777 Alitalia

Há um tempo que vimos cobrindo o processo de nacionalização da Alitalia e toda aquela “revolução” que estava sendo prometida para tornar a empresa sustentável aparentemente caiu por terra. No fim, parece que a empresa italiana verá mais do mesmo e, potencialmente, recomeçará rumo a um novo fracasso, bancado, de novo, pelo povo italiano.

De acordo com esse artigo da Reuters, em audiência com a Comissão de Transportes da Câmara dos Deputados, o ministro da Indústria, Stefano Patuanelli, disse que “a nova empresa começará na mesma posição que outras companhias aéreas assim que o mercado se recuperar” e que isso “reserva um futuro brilhante para a Alitalia”.

Suportado em tal tese, o ministro disse que a volta da empresa deverá ocorrer com uma frota de 90 aviões, ante os 113 que tinha antes da crise. Ou seja, num patamar muito diferente do que os primeiros planos previam, ou seja, de operar com 30 aeronaves.

Mais do mesmo

Com todo o respeito, o ministro talvez não esteja considerando que a aviação deverá demorar um tempo até se recompor, de modo que uma boa parte das noventa aeronaves vai ficar parada por meses, quem sabe anos, apenas gerando custos de leasing (para aquelas que não são próprias) ou de manutenção.

Outro tema são os funcionários. Com a maior parte da frota parada por um tempo, a empresa aérea terá que bancar milhares de empregos improdutivos por que, de fato, não terá o que essas pessoas fazerem. Novamente, às custas dos contribuintes italianos.

Um terceiro pilar nessa história é o serviço da empresa, que se degradou com o tempo e hoje está anos atrás de suas principais concorrentes. Aqui falamos do serviço de bordo, conforto, entretenimento, etc. Então, se o ministro acha que a empresa vai voltar em pé de igualdade com congêneres como Lufthansa, por exemplo, ele está equivocado.

Desde 2017 em administração

No próximo mês completam três anos desde que a transportadora foi colocada em “administração extraordinária”, uma espécie de intervenção governamental.

Isso aconteceu depois que os funcionários rejeitaram um plano de reestruturação proposto por seu principal acionista, a Etihad (49%), que previa o corte de 1.700 empregos. Apesar de duas ajudas do governo, que somaram € 1,3 bilhão de euros, a empresa ainda registrou uma prejuízo de € 300 milhões em 2019. Ou seja, a empresa conseguiu queimar € 1,6 bilhão de euros.

Portanto, a chance desse negócio dar certo é muito baixa. Ao que parece, veremos mais do mesmo por muitos anos.

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