Nova geração de supersônicos promete aviões menores e silenciosos

Avião Boom Supersonic Overture
Projeção para o Boom Supersonic, da Virgin Galatic – Imagem: Divulgação

Quase 20 anos após o último voo do Concorde, aeronave que deslumbrou a humanidade no fim do século passado ao permitir que passageiros comuns voassem acima da velocidade do som, novos projetos de aviões supersônicos prometem reavivar o sentimento futurista do ser humano.

Na última semana, a empresa norte-americana Exosonic anunciou o projeto de uma nova aeronave executiva supersônica, fruto e uma parceria com a Diretoria de Transporte Aéreo Presidencial e Executivo da Força Aérea Norte-Americana (USAF). A Exosonic é uma companhia presidida pelo engenheiro aeroespacial Norris Tie com o propósito de construir um novo modelo supersônico de baixo custo operacional e com menor ruído durante o “boom supersônico”, explosão sonora decorrente da quebra da barreira do som.

A proposta da Exosonic é fornecer ao governo dos Estados Unidos a oportunidade de transporte rápido e eficiente ao redor do mundo por menos da metade do tempo das viagens atuais em velocidade de cruzeiro. A nova aeronave deve ter cerca de 70 lugares, mas a empresa não forneceu novos detalhes técnicos ou data prevista de lançamento. Segundo Norris Tie, em informe divulgado à imprensa, o futuro das viagens rápidas de passageiros é o supersônico de baixo ruído. “O reduzido sonic boom permite que os viajantes voem em velocidades supersônicas sem gerar barulhos perturbadores para os que estão em terra”, disse o executivo.

A explosão supersônica impedia que o Concorde atingisse a velocidade do som sobre o continente, o que reduzia seu potencial operacional. Em áreas habitadas, o boom supersônico poderia causar acidentes e danos estruturais nas instalações de vidro ou mais frágeis.

Outros projetos

O avião executivo da Exosonic não é o único projeto de retomada dos voos supersônicos no médio prazo. Como temos visto, ao menos outras seis empresas estão desenvolvendo projetos com os mesmos objetivos.

No início de agosto, a britânica Virgin Galactic, que desenvolve foguetes para passeios espaciais em escala comercial, firmou parceria com a Rolls-Royce para a criação de um modelo comercial capaz de voar a três vezes a velocidade do som — o Mach 3. A meta equivale a impressionantes 3.700 km/h, o que possibilitaria a travessia do oceano Atlântico, entre Nova York e Londres, em menos de 2 horas. Atualmente, o trajeto leva cerca de oito horas a velocidade de cruzeiro. No passado, a Rolls-Royce fabricou os motores utilizados pelo Concorde.

A fabricante de produtos aeroespaciais Lockheed Martin desenvolve um novo avião supersônico em parceria com a NASA. O objetivo principal é a diminuição do ruído da explosão supersônica por meio de um novo design que colocaria os motores acima das asas e utilizaria a própria fuselagem do avião como barreira de proteção.

A norte-americana Boeing trabalha, há dois anos, no mais audacioso dos projetos. A gigante planeja uma aeronave comercial que voe a 6 100 quilômetros por hora – o Mach 5, o que faria de uma rota transatlântica algo pouco superior a um voo da ponte-aérea Rio-São Paulo ou da viagem Los-Angeles-Tokyo inferior a duas horas. A intenção é que o primeiro voo ocorra em 2030, em aeronaves com capacidade de transporte para até 100 passageiros, o maior da nova leva de jatos super-velozes.

O Overture, projetado pela Boom, deve ter a mesma velocidade do Concorde, mas com capacidade para 55 passageiros. A promessa, é que aeronave entre em fase de teste em 2025. Os outros projetos são os pequenos Aerion AS2, com até 12 assentos e previsto para 2027 e o Spike S-512, com capacidade para até 18 pessoas e também esperado para 2025. Ambos têm velocidade semelhante ao do Concorde.

Ainda não há previsão de quanto custará o voo em uma das aeronaves em desenvolvimento. O foco dos fabricantes, no entanto, é o cliente de alto padrão, como executivos e governos. Apesar da aviação executiva ser o alvo do momento, alguns especialistas não descartam que o modelo possa se tornar, no futuro, a “a nova primeira” classe da aviação comercial.

Concorde

O Concorde foi uma aeronave de fabricação franco-britânica produzido entre abril de 1965 e dezembro de 1978, pelo consórcio formado pela British Aircraft Corporation (BAC) e a francesa Aérospatiale. Com capacidade para até 120 passageiros, decolou pela primeira vez em 2 de março de 1969. O primeiro voo comercial ocorreu em 21 de janeiro de 1976 e o último em 24 de outubro de 2003, operado pelas companhias British Airways e Air France.

Concorde da British Airways em 1986. Foto: Eduard Marmet, via Wikimedia Commons

Na época, o modelo impressionou o mundo ao oferecer a passageiros “comuns” a possibilidade de voar em velocidade, antes permitida apenas para aeronaves militares.

Com passagens que superavam facilmente os US$ 10 mil, o avião não primava pelo conforto, com espaços extremamente reduzidos, mas que se diferenciava pelo requinte dos serviços de bordo. Devido aos altos custos de manutenção que não eram supridos pela demanda e ao terrível acidente em 25 de janeiro de 2000, que levou a paralisação de todos os voos da aeronave por mais de um ano, as duas únicas companhias que tinham o Concorde na frota, decidiram encerrar as operações.

Contém informações da Veja e NBC News

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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