Nova gestão da Boliviana de Aviación culpa Coca por perdas e reestrutura rotas

O ex-Ministro de Obras Públicas da Bolívia, Oscar Coca, renunciou ao seu cargo no final de 2019, quando do término do mandato do presidente Evo Morales e sua saída do país. Desde então, o cargo ficou com Iván Arias, que disse estar implantando medidas para melhorar a eficiência da Boliviana de Aviación e do setor aéreo.

De acordo com o jornal Los tiempos, a nova administração da Boliviana de Aviación (BoA) reconheceu que reduziu alguns voos domésticos, mas informou que, por outro lado, tem incrementado os voos internacionais, conseguindo um isso um aumento substancial na receita, nos primeiros meses das medidas.

A companhia cortou rotas deficitárias como Santa Cruz de la Sierra – Salta e Cochabamba – Potosí, com 10 voos semanais cada. “Essas rotas foram cortadas por não apresentar demanda e também porque ficamos sem aviões”, disse o gerente da BoA Juan Carlos Ossio, que acusou a administração do ex-Ministro de Obras Públicas, Oscar Coca, por implementar políticas equivocadas, como a aquisição por 12 milhões de dólares de dois pequenos jatos RJ-200 com capacidade para 50 passageiros e que recentemente pararam de operar devido a sérios danos. “Essas rotas estavam sendo servidas por esses pequenos aviões e, quando eles pararam de operar, ficamos sem aeronaves para voar a Potosí, Yacuiba, Chimoré, Monteagudo, dentre outros”, explicou Ossio. Ele também criticou a forma como a empresa se posicionou para atender a esses mercados regionais que, tradicionalmente, são servidos por empresas especializadas nesse tipo de operação.

Em troca, a BoA possui aeronaves de médio e longo alcance, que podem ser usadas em voos internacionais. Nesse sentido, diz ele, “aumentamos a rota Viru Viru-Miami em 100% (de quatro para oito voos semanais), aproveitando a oportunidade do mercado, já que a American Airlines parou de operar em novembro de 2019”, disse Ossio. Da mesma forma, as rotas para Buenos Aires foram aumentadas, de sete frequências semanais para 11 (aumento de 57%); para São Paulo, de sete a 10 (43 por cento) e, finalmente, Santa Cruz-Madri, de quatro a seis (50 por cento).

Foco no internacional

“Nosso foco está no mercado internacional porque, embora os aviões de curto alcance estejam parados, temos aviões de médio e longo alcance com plena capacidade. Somos a única companhia aérea boliviana que possui esse tipo de aeronave”.

Essas medidas resultaram, de acordo com cálculos preliminares, em US$ 340.860 de margem líquida incremental em dezembro passado, representando um aumento de 80% em relação ao mesmo mês de 2018, quando a margem atingiu apenas US$ 189.278. “Estamos operando com menos aviões, mas estamos fazendo mais voos com eles. Isso significa ganhar eficiência e eficácia, com menos estamos fazendo mais ”, conclui Ossio. Além disso, a demanda internacional é alta: “Estamos operando a rota para Miami com uma ocupação de 82%”.

Finalmente, a BoA oferece uma rota de franquia de bagagem bem acima do que a concorrência oferece. “Nas rotas de Miami e Madri, oferecemos 46 quilos de franquia, enquanto as outras companhias aéreas têm entre 21 e 22 kg. Para os outros destinos, oferecemos 30 kg”, disse ele.

Os dados de janeiro a setembro (administração anterior, que não considera os conflitos dos meses de outubro e novembro) mostram perdas. A renda voada do passageiro / quilômetro da BoA entre janeiro e setembro de 2019 diminui 2,16% em comparação com o mesmo período de 2018. De janeiro a setembro, o BoA perdeu US$ 2,8 milhões.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.