Novamente, a compra do substituto do Boeing 707 da FAB é barrada por falta de recursos

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Mais uma vez a Força Aérea Brasileira (FAB) não verá tão brevemente um substituto para o antigo “Sucatão”, o Boeing 707 de transporte tático que foi aposentado há mais de 15 anos.

Airbus A330

Os dois Airbus A330 que o presidente Jair Bolsonaro havia anunciado recentemente durante uma live e que, provavelmente, seriam oriundos da britânica Royal Air Force, não virão tão logo, segundo uma matéria recente do jornal O Globo.

O jornal afirma que o pedido de compra feito pelo Ministério da Defesa ao Ministério da Economia, com a cifra de R$ 500 milhões, foi negado por não atender aos requisitos mínimos para uma compra urgente e também devido à indisponibilidade de recursos nesse momento, ante ao possível aumento do rombo nas contas do governo para conter a pandemia.

A ideia era abrir uma licitação e receber as aeronaves em menos de seis meses, sendo que os aviões deveriam ser capazes de levar entre 240 e 600 cilindros de oxigênio, 6 UTIs, 16 macas e 117 assentos. Outra capacidade do jato seria a chamada “evacuação aeromédica”, onde ele poderia levar 130 pacientes acamados.

Estes números acima se encaixam na capacidade do A330MRTT que tem espaço para até 130 pacientes em macas, ou utilizar uma configuração de 28 macas, seis UTIs, 20 assentos para médicos e 100 passageiros, além de 37 toneladas de carga no porão.

A novela mexicana

Boeing 707 da FAB

A última aeronave a cumprir essa missão de maneira plena foi o KC-137, versão modificada do Boeing 707, que no caso da FAB eram quatro jatos ex-Varig.

Eles contavam com porta de carga para o deck principal, podendo fazer reabastecimento em voo, levar passageiros, equipamentos além de ter uma aeronave VIP para o Presidente da República.

O jato foi aposentado em 2005 e desde então nenhum substituto à altura foi colocado a prova. O programa KC-X da FAB que visava substituir o vetor teve em 2013 a sua escolha: Boeings 767-300ER que seriam convertidos pela israelense IAI.

As aeronaves foram separadas, tiveram a porta de carga instalada, mas a FAB cancelou o projeto devido falta de recursos, e os aviões foram para a canadense CargoJet.

Em 2015 um tampão foi feito, com o aluguel de um 767-300ER pela hoje falida Colt Cargo. Apesar da pintura militar, era apenas um Boeing de passageiros, sem capacidade de carga no deck principal, e também sem capacidade aeromédica.

O jato voou na FAB de 2016 até 2019, aumentando a capacidade da FAB, mas acabou sendo devolvido após o fim do contrato. Um novo contrato para substituí-lo, seja novamente por aluguel ou por compra, foi feito mas barrado pelo TCU por irregularidades.

Sem o A330, a FAB volta à estaca zero, sem perspectiva de um avião de transporte tático, que durante a Pandemia do Coronavírus fez sentir a sua falta.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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