Novela Alitalia: 70 aviões e 4 mil pessoas a menos

Embora a “nova Alitalia” já tenha sido relançada sob o nome de “Alitalia TAI” (de Transportes Aéreos Italianos), o plano de reestruturação ainda vem sofrendo mudanças por pressões da União Europeia. A verdade é que, desde que o governo local decidiu pela renacionalização da empresa, diversos planos vieram à mesa, mas pressões políticas resultaram num acordo ainda pendente.

Isso porque, enquanto um grupo defende a redução de tamanho da empresa, outro quer não apenas manter a inchada estrutura, como também absorver funcionários de outras empresas quebradas, como a Air Italy.

Nessa segunda-feira (20) um novo plano foi apresentado. Segundo o Corriere Della Sera, a nova ideia dos administradores é que a nova Alitalia reduza sua frota de cerca de 110 para 65 a 70 aeronaves e quatro mil pessoas a menos do que hoje. Ao menos, esses foram os principais elementos contidos no plano industrial apresentado pelo Ministério da Economia e Finanças da Itália em conjunto com os chefes da aérea italiana Fabio Maria Lazzerini e Francesco Caio à Comissão Europeia.

Pelos cálculos da Alitalia, a oferta de assentos no final de 2020 ainda estará em um patamar de 40% em comparação com os níveis pré-pandemia. A retomada lenta faz com que o plano anterior, de operar 90 aeronaves e não demitir nenhum dos seus 10 mil funcionários seja considerado totalmente inviável economicamente pela União Europeia e, como prerrogativa do bloco, é necessário que haja contrapartidas para que um governo invista em uma empresa ora privada, a fim de não causar distorções concorrenciais.

Mesmo assim, ainda há quem insista que a empresa não está inchada. Segundo o Corriere, o ministro do Desenvolvimento Econômico, Stefano Patuanelli, alegou que “não há 4.000 redundâncias. Há uma necessidade inicial de 70 aeronaves que é o número de aviões que precisamos para hoje. Isso não significa 4.000 redundâncias. Não há redundâncias no plano que o governo tem em mente”.

O fato é que, como em todos os países latinos, evita-se muito ser o portador da notícia ruim e, mais ainda, ser o responsável pela decisão impopular. Mas é fato que a empresa precisa se restruturar, a exemplo do que temos visto ao redor do mundo, caso ela queira sobreviver de maneira sustentável e sem precisar de mais aportes do governo no futuro.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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