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Novo turboélice da Embraer será mais rápido que o ATR, mas não mais do que o Q400

Competir com os dois consagrados turboélices da aviação regional é o objetivo da Embraer com o seu novo avião. Para tanto, a fabricante brasileira quer mostrar seus diferenciais.

Ainda sem nome oficial, mas já apelidado de TPNG (Turboélice de Nova Geração, em inglês), o novo avião da fabricante brasileira surpreendeu o mercado pelo seu design, com motores na parte traseira da aeronave, mas que não empurram, e sim tracionam, igual os turboélices com propulsão nas asas.

Segundo planos iniciais divulgados, deverão existir ao menos dois modelos cobrindo o mercado de 70 e 90 assentos, hoje dominado pelo francês ATR72 e pelo canadense DHC-8-400 (antigo Bombardier Q400).

A Embraer tem grande experiência com aviões turboélices, mas não nesse segmento, já que passou do Brasília (para 30 passageiros) ao ERJ-145 que leva 50, mas é um jato, tendo outro nicho de mercado do antecessor. Com o novo projeto, a empresa pode misturar estas duas experiências, de produzir turboélices na faixa dos 50 assentos.

Em entrevista a Jon Ostrower, do site The Air Current, Rodrigo Souza e Silva, Vice-Presidente de Marketing da Embraer, deu mais detalhes de como o plano de trazer turboélices maiores foi aceito no mercado.

“Depois do pior período da crise da Covid, quando ninguém queria ver nossa cara, o mercado americano foi o primeiro a dar sinais de recuperação, então tivemos a oportunidade de falar com as companhias aéreas de novo. E com isso tivemos uma mudança na aceitação do turboélice, mostrando ser algo viável no mercado americano”, afirma o executivo.

O mercado nos EUA tem mais apelo aos jatos por conta das características econômicas e de infraestrutura que favorecem sua operação na maioria das rotas, além do público americano entender que jatos são mais confortáveis e seguros para se voar, o que não necessariamente é uma verdade. De qualquer modo, esse será um desafio para a Embraer, que poderá ganhar espaço se apresentar uma aeronave que ajude as empresas (e passageiros) a reduzirem custos.

“O avião terá um pouco mais de 800 nm (1.841 km) de alcance, mas será otimizado para voos entre 250 nm e 300 nm (faixa de 500 km), mais rápido que um ATR mas não tão rápido quanto um Q400”, afirmou Rodrigo.

No caso, a velocidade de cruzeiro do novo Embraer seria de 300 a 360 nós, oferecendo de 15% a 20% adicionais de economia quando comparado com o ATR.

ATR da Azul

Com previsão para que as entregas ocorram entre 2027 e 2028, a Embraer parece se apoiar muito no modelo da Azul, que usa um mix de ATRs com jatos maiores E195-E1/E2 para voos regionais.

Ter um avião um pouco maior, mas ainda capaz de operar em pistas pequenas, e mantendo uma razoável diferença na quantidade assentos para o próximo membro da frota, é exatamente o que a Azul faz em seu negócio mesclando o ATR (70 passageiros) e o E195 (136 passageiros).

Outro ponto de destaque citado pelo executivo é o alcance otimizado da nova aeronave, que lhe dará flexibilidade para se encaixar aos diferentes períodos de sazonalidade da malha das empresas aéreas.

Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A