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O avião que foi resgatado do gelo e posto para voar novamente

Em raras ocasiões lemos histórias de aeronaves que fizeram retornos triunfais e improváveis, tais como a fênix que, na mitologia grega, era um pássaro capaz de ressurgir de suas próprias cinzas, pronto para voar novamente. Quem sabe esse Hércules seja uma dessas fênix metálicas.

Em 4 de dezembro de 1971, um Hércules LC-130 (versão com esquis do C130) registrado como JD321 cumpria uma missão de rotina em um local remoto da Antártida Oriental. Naquele dia fatídico, após embarcar integrantes de uma expedição científica norte-americana e seus equipamentos, o versátil avião foi colocado pronto para voar.

Mas algo não ocorreu bem. Após a decolagem, e já em voo, um dos foguetes que dão propulsão ao avião teve um mau funcionamento e o forçou a cair na neve, causando o colapso do trem de pouso principal (esquis). Felizmente, nenhum ferimento foi relatado, mas a operação de resgate foi considerada muito complexa e dispendiosa, e a aeronave foi abandonada no local após ser despojada de todos os instrumentos de voo, rádios e equipamentos de navegação.

Mais tarde, no fim dos anos 1970, operações de resgate foram bem sucedidas em retirar outras aeronaves do gelo, o que encorajou os Estados Unidos a tentarem o resgate o Juliet Delta 321.

Em 1986, 15 anos após o acidente, os planos de salvamento foram traçados. O trabalho de recuperação deveria ser realizado durante as estações de verão austrais de 1986/87 e 1987/88. A primeira etapa da operação de recuperação envolveu uma equipe de seis homens e teve como base operacional a estação francesa “Dumont D’Urville”, a cerca de 140 milhas do local do acidente.

Naquele local, eles prepararam equipamentos pesados ​​e outros suprimentos vindos da estação de “McMurdo” – o centro de pesquisa antártico dos EUA – e depois viajaram por terra com uma comitiva francesa até o local onde estava enterrado o avião. Depois de avaliar o estado da aeronave, eles passaram cinco semanas escavando 6 metros de neve dura e compactada, a fim de abrir desobstruir o avião. Os motores também foram removidos e levados para os EUA para reparo. Era o fim da primeira temporada.

Na temporada de verão seguinte, um grupo muito maior, incluindo pessoal de empresas de defesa, voltou com equipamentos para realizar todos os reparos necessários no local.

Finalmente, em 10 de janeiro de 1988, 16 anos e 37 dias após a queda, o 321 estava de volta ao ar. Sua primeira jornada foi o voo de cinco horas até a Estação McMurdo e, daí, para a Nova Zelândia e os Estados Unidos.

As condições climáticas extremas de alguns dos lugares mais inóspitos do mundo podem ter ajudado a preservar a célula de voo de tal maneira que ela pudessem ser recuperadas e tornadas navegáveis ​​novamente, mesmo após muitos anos depois do pouso forçado.

Talvez o fato mais bizarro de toda essa história é que, infelizmente, outro LC-130 foi perdido durante a operação de resgate, juntamente com dois de seus passageiros.

Com informações da CNN e South Pole Station

Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.