O que a AZUL está fazendo para sobreviver à maior crise da história da aviação?

Respondendo a um momento de larga incerteza, as empresas aéreas estão tomando novas decisões a cada dia, algumas delas um tanto duras, com objetivo de preservarem seu caixa e empregos num momento em que não há quase novas receitas entrando. Nessa matéria fazemos um resumo de como a Azul Linhas Aéreas está se preparando “dentro de casa”. São medidas duras, mas necessárias nesse momento. Medidas relacionadas com passagens não estão listadas.

As companhias aéreas sofrem com a pandemia, que continua a se alastrar e aproximar sistemas de saúde do colapso, obrigando os governos a tomar medidas extremas na contenção da Covid-19. Com a Azul, empresa com maior número de destinos no Brasil e uma frota 100% arrendada, os desafios são muitos.

Apesar de ter encerrado 2019 como a empresa mais rentável do país, com margem de 24%, a parada da aviação mundial representa uma séria ameaça à continuidade dos negócios na forma como eles estão estruturados hoje.

Redução de 70% dos voos

Uma das primeiras ações tomadas pela Azul quando a crise pegou o Brasil foi cancelar a maior parte de seus voos. De início, foi anunciada uma redução de 50% nos voos domésticos e internacionais por um período. No entanto, o agravamento da crise obrigou a decisões mais duras e hoje o percentual está na casa dos 70%.

O cenário muda diariamente e a empresa já entende como impossível prever a extensão da crise. Além disso, acredita que a demanda por viagens não deve ser recuperar no médio prazo, isto é, se for recuperada em algum momento no futuro próximo.

Escala semanal e redução de bases

O nível de incerteza impede um planejamento de voos e de escala de tripulantes com maior antecedência, de modo que a empresa decidiu por emitir uma escala semanal.

O mapa de rotas também muda radicalmente. Destinos com vários voos diários terão diminuições importantes no número de frequências, outras cidades de menor demanda, que contam com poucos voos semanais, acabam por ter a base completamente suspensa. Onze bases já estão suspensas, são elas (as datas são provisórias):

  • De 21 de março a 30 de junho:
    • Bariloche
  • De 23 de março a 30 de junho:
    • Lages;
    • Pato Branco;
    • Toledo;
    • Ponta Grossa;
    • Guarapuava;
    • Araxá;
    • Valença;
    • Feira de Santana;
    • Paulo Afonso;
    • Parnaíba.

Reduções de salários em até 50%

Além dos cancelamentos de voos, a Azul está tomando várias medidas para reduzir seus custos fixos, que representam aproximadamente 40% do custo operacional total.

  • Corte dos salários da diretoria em 50% e da gerência em 25% até a situação normalizar
  • Congelamento de contratações
  • Diferimento de pagamento da participação nos lucros de 2019
  • Suspensão de viagens e gastos discricionários
  • Cancelamento das férias de abril, maio e junho com objetivo de preservar caixa
  • Zerar banco de horas e não realizar horas extras
  • Suspensão da contribuição patronal na previdência privada pelos próximos três meses

Licença não remunerada com grande adesão

Uma das primeiras ações da empresa foi conclamar os funcionários a pedir licenças não remuneradas, também com objetivo de cortar custos de pessoal sem precisar demitir. Segundo informações de fontes, cerca de 5.000 pessoas já aderiram, correspondendo a um terço dos funcionários, mas a empresa precisa de mais adesões para que evite cortes. Para que mais pessoas possam se inscrever, o prazo foi postergado até o dia 27 de março.

A companhia informa que não haverá desconto salarial nos períodos pré e pós-licença para quem aderir, assim como o vale alimentação continuará a ser pago a todos os tripulantes elegíveis, para ajudar nesse momento difícil.

Frota e Rotas

O plano de frota será duramente afetado também. Além da parada da maior parte da frota, estão suspensas até segunda ordem as entregas de novas aeronaves. Os ônibus que conectam os aeroportos serão parcialmente cancelados também.

Falando em rotas, além dos cancelamentos supracitados, voos novos estão postergados até nova decisão. É o caso da rota para Nova Iorque e de algumas rotas domésticas que havia nos planos, algumas ainda anunciadas.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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