O que aconteceu com os Boeing 747 da American Airlines?

O vistoso Jumbo já foi visto em aeroportos internacionais de todo o mundo, mas de um tempo para cá, o Boeing 747 tem sido notado pela sua ausência. A American Airlines esteve entre as primeiras grandes operadoras do jato da Boeing nos anos 70, mas também foi uma das primeiras a retirá-lo de serviço. 

O que exatamente aconteceu com os 747s prateados da American Airlines?

No início dos anos 70, o Boeing 747 ainda não era uma aeronave de total sucesso. Naquele momento, as companhias aéreas lutavam para atrair clientes suficientes para preencher os aviões menores, obrigando a conversão de muitos 747 para o uso no transporte de cargas, criando uma razão econômica para a aeronave. 

Se no início essa decolagem lenta foi uma grande preocupação para a Boeing, que acumulou uma dívida bancária recorde de US$ 1,2 bilhão para financiar o projeto 747, mais tarde virou um trunfo. Com o gradual aumento do número de passageiros e a popularização das viagens aéreas nos EUA e Europa, além de várias novas melhorias no projeto, a aeronave acabou sendo alavancada até ganhar o status de ícone do céu. O aumento na procura e a limitação de slots em grandes aeroportos centrais também incentivou as empresas a estabelecerem ligações com aviões maiores.

Num período de quase 20 anos, a American Airlines operou 21 aeronaves do modelo, sendo 18 747-100, 1 747-200 e 2 747SP, mas foi uma das primeiras companhias aéreas dos Estados Unidos a retirar o 747 de sua frota, tendo o último sido vendido em meados dos anos 90, para a sua congênere e concorrente, United Airlines.

Seguindo o mesmo caminho de outros tantos 747s, vários deles foram convertidos para cargueiros para compor frotas como a da UPS e Flying Tigers, além da própria American Cargo (ou American Freighter). Outros acabaram repassados a empresas aéreas de várias partes do mundo. Mas alguns tiveram um fim bem mais interessante.

Dois dos jumbos da série -100 foram modificados para a versão Shuttle Carrier Aircraft (SCA) 747 e usados ​​para transportar os Ônibus Espaciais de seus locais de desembarque ao Centro Espacial Kennedy da NASA. Devido a fortes alterações internas e externas, a SCA reduziu significativamente as capacidades de alcance e altitude dos 747s. Eles também tiveram que carregar lastro ao voar sem o ônibus espacial para manter a estabilidade.

O legal é que a agência espacial americana manteve a pintura básica da AA em uma das aeronaves sendo que, desses, o N905NA foi mantido em serviço até o final de 2012. No fim de sua vida, ele foi preservado como um monumento ao lado de uma réplica do ônibus espacial no Space Center, em Houston.

O outro com história interessante foi o 747SP matrícula N602AA, comprado pela AA da TWA em 1986 e depois vendido ao governo dos Emirados Árabes Unidos em 1994 onde foi usado como uma aeronave de transporte VIP.

Texto adaptado do Simpleflying

Luis Neves

É agente de turismo e acompanha a evolução da aviação brasileira desde o final da década de 80. Fotografa tudo o que voa e tem uma das maiores coleções de fotos de aviação do Brasil.