O que aconteceu com os improváveis MD-11 da TAM?

Receba as notícias em seu celular, acesse o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

Recentemente, falamos sobre o paradeiro dos MD-11 que pertenceram à VASP e muitos nos perguntaram pode onde andariam os trijatos que voaram na VARIG e na TAM. Então, dando continuidade à pesquisa, seguimos para o segundo dos três capítulos dessa série, dessa vez, focando na TAM.

Eles nunca foram encomendados pela TAM

A forma como os MD-11 chegaram para a TAM é bastante interessante e totalmente improvável, já que eles nunca foram encomendados verdadeiramente pela empresa brasileira. Eles também mostram como a aviação pode ser uma “caixinha de surpresas”.

Era 2006 e havia dez anos que a empresa aérea do Comandante Rolim Amaro mantinha uma forte parceria com a fabricante europeia Airbus. Naquele momento, a TAM crescia e demandava aeronaves maiores do que o A330-200 para melhor aproveitar algumas de suas rotas internacionais de maior demanda. E foi essa a deixa que a Boeing aproveitou para ganhar um novo cliente no Brasil, oferecendo seu Boeing 777-300ER junto com um pacote “imperdível”, que já permitiria à TAM imediatamente aumentar sua capacidade para alguns destinos, sem esperar pelos 777.

A proposta americana foi considerada muito boa e, por consequência, foi aceita pelos executivos da TAM. Ela previa que, por um ano e meio, a Boeing arrendaria à TAM, a custos muito abaixo do mercado, três MD-11 que antes voaram na VARIG e que, naquele momento, estavam parados desde que a pioneira empresa aérea brasileira suspendeu suas operações anos antes. Apesar de estarem com o pagamento do leasing atrasado, os MD-11 ainda estavam em boa forma, embora tivessem uma tecnologia já defasada para a época.

No entanto, isso seria temporário e não foi visto como um empecilho, afinal, os custos atrativos e a possibilidade de aumentar a capacidade das rotas mais rentáveis justificariam o próximo um ano e meio de operações. Assim, após uma manutenção e repintura, os MD-11 enfim pousavam em São Paulo nas cores da TAM no começo de 2007.

Para efeito de curiosidade, o A330 mais denso da TAM tinha capacidade para até 225 pessoas enquanto o MD-11 poderia levar 285, um ganho de 27% por voo, segundo dados do Planespotter. Segundo registros fotográficos e informações da época, os MD-11 foram empregados pela TAM nas rotas para Paris e Milão.

Quais foram os MD-11 da TAM

Então, como mencionamos, três MD-11 compuseram a frota da TAM entre fevereiro de 2007 e janeiro de 2009, todos eles provenientes do que tinha sobrado da VARIG. Dos três, apenas um voou em todas as aéreas brasileiras que operaram o trijato.

O primeiro e o segundo: quando chegaram na TAM, os jatos PT-MSH e PT-MSI tinham dez anos de idade e haviam sido encomendados originalmente pela Garuda Indonesa, onde voaram por apenas dois anos, antes de serem repassados à VARIG como PP-VQJ e VQK. A empresa gaúcha ficou de posse das aeronaves até fevereiro de 2007, embora já não as usasse havia algum tempo (e também não pagava mais seu leasing). Na TAM, por sua vez, os trijatos voaram até novembro de 2008.

Depois da passagem na TAM, seu destino variou. O MSH foi devolvido à Boeing, que não encontrou dificuldade para arrendá-lo à Federal Express, onde voa até o dia de hoje como N572FE. Já o MSI tomou um rumo diferente, indo parar na Ethiopian Airlines Cargo, mas, diferente do seu “irmão gêmeo”, desde 2015 está estacionado em um deserto americano enquanto aguarda por seu destino.

O terceiro: o PT-MSJ, por sua vez, foi o único a voar em todas as empresas brasileiras que operaram o MD-11, tendo passado pelas mãos da VARIG e da VASP, antes de chegar à TAM. Na verdade, ele foi uma encomenda original da VASP, que o recebeu em 1996 como PP-SFD. Em maio de 2001 foi repassado à VARIG como PP-VQX e, finalmente em março de 2007, à TAM.

Esse foi o que mais voou pela TAM, tendo sido devolvido à Boeing apenas em janeiro de 2009. Igual ao MSH, o MSJ também foi rapidamente recolocado em serviço pela fabricante americana, que o arrendou à Federal Express, onde voa até hoje como N573FE.

Receba as notícias em seu celular, acesse o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

Veja outras histórias

Dia 9/12: data em que a GOL espera o primeiro voo...

0
Está chegando a hora de ver novamente o Boeing 737 MAX nas operações regulares da GOL. Hoje novas operações foram registradas na ANAC.