O que aconteceu com os MD-11 da VASP?

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Se o trijato MD-11 não foi um sucesso absoluto de vendas, seu design é considerado por muitos como um dos mais bonitos já criados para um jato comercial. No Brasil, ele chegou voar nas cores da VARIG, VASP e TAM entre os anos 1990 e começo dos 2000.

Foto de Kambui / CC BY via Wikimedia Commons

Especificamente na Viação Aérea São Paulo (VASP), os nove MD-11 tiveram uma trajetória marcante. Sua chegada remonta da época da privatização da empresa, em 1990.

Como parte de um grande plano de reestruturação, a nova administração, a cargo de Wagner Canhedo, passou a buscar por novos aviões e a expandir operações para fazer concorrência ao domínio da VARIG nas rotas internacionais. E boa parte dessa estratégia foi executada pelos MD-11.

Segundo dados do Aeromuseu, a estreia dos trijatos na VASP aconteceu no ano de 1992, quando os dois primeiros aviões do modelo (PP-SOW/SOZ) chegaram a São Paulo. Entre 1993 e 1996, outros sete MD-11 se juntaram à frota da companhia aérea, onde voaram até o princípio dos 2000.

O vídeo abaixo (espere carregar) foi produzido especialmente para o lançamento dos trijatos na VASP e tem imagens internas da aeronave.

Com capacidade para 283 passageiros em três classes (embora algumas configurações mais densas tenham sido usadas esporadicamente), eles levaram a empresa paulista aos quatro cantos do mundo, onde nenhum outro jato havia levado antes.

Como parte da estratégia de expansão agressiva, os MD-11 da VASP passaram a voar a muitos destinos, alguns inesperados, como Osaka, São Francisco, Casablanca e Bruxelas. Outras rotas incluíam Seul, Toronto, Nova Iorque, Los Angeles, Miami, Orlando, Madri, Barcelona, Frankfurt, Zurique e Atenas.

Mapa de rotas da VASP em meados dos 1990

O que aconteceu com os MD-11 da VASP

Curiosamente, dos nove MD-11 operados pela VASP, seis ainda continuam voando pelo mundo. Veja suas trajetórias.

Os dois primeiros foram o PP-SOW e o PP-SOZ. Ambos chegaram novos de fábrica em fevereiro e março de 1992 e voaram na VASP até 2000. Foram repassados à VARIG e, por fim, terminaram a carreira na Lufthansa Cargo, que os aposentou em 2014.

Outros três – PP-SFA, PP-SPK e PP-SPL – foram entregues à empresa paulista novos de fábrica entre 1995 e 1996 e voaram até 2000. Todos acabaram repassado à UPS, onde viraram cargueiros e voam até hoje.

O PP-SFD foi o único a voar em todas as empresas brasileiras que operaram o MD-11. Chegou novo em novembro de 1996, depois foi repassado à VARIG, TAM e, desde 2007, voa na FedEx como cargueiro.

Dois outros, de matrículas PP-SPD e PP-SPE, por sua vez, voaram inicialmente na Delta entre 1990 e 1994. Foram então repassados para a VASP entre dezembro de 1993 e janeiro de 1994, onde voaram até 2000. Ambos seguiram seu caminho com a Gemini Air Cargo, World Airways e, finalmente, Western Global, onde ainda estão voando.

Por fim, mas não menos importante, o PP-SPM seguiu uma trajetória diversa das anteriores. Encomendado e recebido pela holandesa KLM, mas imediatamente repassado à VASP em dezembro de 1995, voou na brasileira até 1998, quando voltou à Holanda e lá ficou até sua aposentadoria em 2012.

Note que esses dados foram obtidos em junho de 2020 e a história de muitos dos trijatos ainda não acabou e eles podem voar por mais operadores no futuro.

VASP McDonnell Douglas MD-11 PP-SFD  "Nossa Senhora Aparecida"

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Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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