O que escondem os voos clandestinos da Myanmar Airways para a China?

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A320 da Myanmar Airways, mesmo modelo usado nos voos clandestinos

Quando o exército de Mianmar deu um golpe militar e assumiu o controle do governo, os voos internacionais foram proibidos e o principal aeroporto do país fechado até maio deste ano. Mas um estranho fluxo de aviões da companhia aérea nacional tem chamado a atenção da comunidade internacional.

De acordo com o jornal Myanmar Times, o governo militar de Mianmar revogou, logo após chegar ao poder no início de fevereiro, a permissão de pouso e decolagem de todos os voos, incluindo os de socorro médico, até 31 de maio. Contudo, todas as noites, voos sem registro oficial e sem qualquer identificação são realizados entre Kunming, no sul da China, e Yangon, capital do país.

Segundo reportagem do jornal australiano The Mandarin, até três aviões fazem pelo menos cinco voos noturnos entre os dois países vizinhos. Dois dos aviões são pintados com as cores da Myanmar Airways e o outro não tem marcas.

O que chama a atenção, contudo, é que os transponders dos aviões foram desligados, uma violação das regras da aviação internacional. O equipamento é usado para identificar aeronaves por meio de sinais de rádio para outros aviões e para bases em solo.

Voos ocultos

Os voos também não foram registrados pelo sistema online de informações dos aeroportos envolvidos, e dados dos voos não foram divulgados em nenhum canal padrão. Ou seja, aparentemente, há uma estratégia deliberada em esconder essas viagens.

Especialistas ouvidos pelo jornal dizem que só foi possível rastrear as aeronaves por meio de informações via satélite a partir dos motores e pelo aplicativo ADS-B Exchange, semelhantes ao que foi usado para investigar o destino do voo MH370 da Malaysia Airlines. A investigação foi iniciada porque fotos das aeronaves foram divulgadas por funcionários do aeroporto.

As três aeronaves possuem os registros XY-AGV, XY-ALJ e XY-ALK. A maioria dos voos foi realizada pela XY-ALJ, que é um Airbus A320 pintado de branco. A XY-AGV é um Airbus A319 com as cores da Myanmar Airways International, assim como a XY-ALK. O A320 é propriedade da empresa privada DAE Capital e os A319 são da AerCap Holdings.

O governo chinês e a Myanmar Airways alegaram que os aviões transportavam produtos exportados, como frutos do mar. No entanto, face a situação política do país do sul da Ásia, é possível que os voos transportem armas ou tropas chinesas e especialistas cibernéticos para ajudar o exército de Mianmar a controlar o acesso à informação e à internet. A China é o quinto maior exportador de armas do mundo e Mianmar é um dos seus principais clientes.

A China foi uma das poucas potências mundiais a não condenar a tomada de poder no país asiático. Seja qual for o real conteúdo desses aviões, ele dirá muito sobre o futuro político desses dois países.

Possui informações do portal Poder 360.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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