O que há de novo no processo de reestruturação da Alitalia?

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A Via Crucis da Alitalia está finalmente se aproximando de um desfecho, mas parece que o final não será totalmente feliz para a transportadora italiana.

Segundo o jornal La Repubblica, os ministros italianos Daniele Franco, das Finanças e Economia, Giancarlo Giorgetti, do Desenvolvimento Econômico, e Enrico Giovannini, da Infraestrutura, chegaram finalmente a um acordo com Margrethe Verstager, Chefe da Comissão de Política de Concorrência da União Europeia. Agora, o acordo deve passar por suas discussões e ser encerrado na próxima semana.

Arrivederci

O plano revisto apresentado pelos ministros italianos prevê algo que o governo italiano tentou se desvencilhar a todo o momento, que é a renúncia à marca histórica da empresa. Ou seja, a menos que ocorra uma reviravolta (e nessa história já houveram muitas), a empresa deixará de ser formalmente conhecida como Alitalia para, potencialmente, se chamar ITA (Italia Trasporto Aereo). O processo também implicará em uma forte reestruturação e redução de atividade, pessoal, frota, além de uma revisão dos investimentos e receitas previstos.

Em pormenores, a reestruturação, adotada para responder a pedidos da Comissão Europeia, irá afetar a marca construída ao longo de 75 anos. Ela, porém, deixará com a ITA a possibilidade de participar de uma licitação para a compra de ativos da Alitalia.

Enxugando

A frota terá um corte de quase 50%, o que levaria a contagem de aeronaves para cerca de 50, de uma frota atual de 103. Além disso, o quadro de pessoal será reduzido para 26% dos atuais 11.500 colaboradores, chegando num total de 2.850. Quem continuar na empresa, será transferido da Alitalia para a ITA diretamente.

Além disso, a ITA será proibida de adquirir o programa de passageiro frequente MilleMiglia, que deve ir para outras partes (outros investidores interessados). A área de ground handling será parcialmente vendida e o mesmo deve ocorrer com a divisão de manutenção, da qual apenas a manutenção de linha pode ser retida pela ITA, enquanto o restante deve ir para um investidor externo. Por último, mas não menos importante, há a questão dos slots em vários aeroportos, principalmente no hub de Milão, onde 8% terá que ser entregue a concorrentes.

Mais um elemento crucial é o financiamento nova empresa. Um total de US$ 2 bilhões de financiamento estatal será permitido. O montante será dividido em dois lotes, sendo o primeiro de US$ 1,4 bilhão a ser seguido posteriormente por uma segunda injeção de capital para completar o valor total.

Mas a história não acabou. A próxima semana espera “grandes emoções” e muito barulho por parte dos sindicatos.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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