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Organização da ONU usa avião de empresa acusada de apoio a regime totalitário

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Airbus A320 da Cham Wings – Imagem: Anna Zvereva / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Uma grande polêmica se desenvolveu nesta semana quando a Organização Mundial da Saúde (OMS, ou WHO na sigla em inglês), uma agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU, ou UN em inglês), revelou que utilizou em suas ações de transporte uma aeronave de uma empresa aérea controversa.

Imagens postadas no Twitter pela OMS na última segunda-feira, 11 de janeiro, mostraram funcionários descarregando ajuda humanitária de um avião da empresa aérea Cham Wings no Aeroporto Internacional de Benina, em Benghazi, Líbia.

Na publicação, a Organização descreve: “A World Health Organization (WHO) continua a fornecer ajuda de assistência humanitária à população da Líbia. Mais de dezesseis toneladas de medicamentos, suprimentos e equipamentos despachados dos armazéns da WHO em Dubai acabaram de chegar no Aeroporto Internacional de Benina em Benghazi.”

Em 2016, o Tesouro dos EUA impôs sanções à Cham Wings por cooperar com funcionários do governo totalitário da Síria para transportar militantes para lutar em nome do regime sírio e ajudou a anteriormente designada Inteligência Militar Síria (SMI) na movimentação de armas e equipamentos para o regime sírio.

“O voo da Cham Wings de Damasco para Dubai foi uma das principais rotas para lavar dinheiro em toda a região, para garantir que continuassem os negócios com o regime de Assad”, disse o Tesouro.

Com sede em Damasco, a Cham Wings Airline é controlada majoritariamente pelo bilionário sírio Rami Makhlouf, primo de Assad que, até um desentendimento recente, era o empresário mais poderoso do país.

Segundo o MEMO, esta não é a primeira vez que a OMS se envolve com atores estatais obscuros e repressivos. Ela foi acusada de afiliação ao governo chinês e ao Partido Comunista Chinês (PCC) no início da pandemia da Covid-19, quando um de seus assessores, Bruce Aylward, se esquivou de uma pergunta sobre o conflito da China com Taiwan, em abril.

Apesar da controvérsia, um porta-voz do Programa Alimentar Mundial (WFP), responsável por tratar da resposta das agências da ONU à Covid-19, confirmou ao MEE que usou a companhia aérea para transportar 16 toneladas métricas de ajuda dos Emirados Árabes Unidos para a Líbia.

“Devido à situação em terra, as opções de entrega de frete aéreo para a Líbia são mínimas e, neste caso, a carga médica da OMS foi transportada pela companhia aérea Chams Wings, que não está sujeita a sanções da ONU”, informou o porta-voz.

Hanan Salah, um pesquisador sênior líbio da Human Rights Watch, uma organização não governamental internacional que realiza pesquisas e defesa dos direitos humanos, criticou a ONU por quebrar suas próprias diretrizes ao usar a Cham Wings.

“As organizações da ONU não deveriam – por suas próprias diretrizes – ajudar os atores que têm uma história documentada de facilitação de abusos quando isso coloca em risco sua própria cumplicidade”, disse Salah ao MEE. “Eles devem examinar de perto qualquer suposto envolvimento de companhias aéreas na assistência aos serviços de inteligência do governo sírio.”

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