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Panair do Brasil está de volta

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Foto Denir Lima de Camargo (in memoriam)

Após 50 anos de sua falência, decretada pelo regime militar em 1965, a Panair do Brasil está de volta. No entanto, infelizmente não devemos ver os aviões com as faixas auriverdes novamente voando pelos céus brasileiros e do mundo, ao invés disso, veremos uma nova página sendo escrita por aqueles que desejam manter viva a memória da lendária empresa aérea brasileira, fechada repentinamente por uma ordem do governo.

A notícia foi dada pelo O Globo nesse sábado, 5 de setembro, que comenta que a marca Panair do Brasil está sendo reativada por Rodolfo da Rocha Miranda, herdeiro do ex-sócio da companhia, Celso da Rocha Miranda. O registro somente foi possível após um grande embate judicial, que reconheceu que a empresa não foi à falência de fato, em 1965.

O objetivo do projeto é manter o legado da empresa vivo na memória dos brasileiros, indo além dos eventos que já existem onde os ex-panerianos se encontram para recordar o legado da empresa. Para viabilizar a ideia, Rocha Miranda recrutou uma equipe de voluntários para ajudar a manter o novo site no ar (panair.com.br), assim como as páginas nas redes sociais, como facebook.

“Com o objetivo de honrar o legado de cada uma e de todas as pessoas que fizeram da Panair o orgulho do Brasil e para garantir que as novas gerações sempre conheçam a história de luta dos panerianos, iniciamos nossa presença institucional na internet. Recebemos vocês a bordo com muita alegria”, diz a mensagem institucional do novo site.

Minissérie de TV nos planos

A página ainda é simples, e conta com uma breve história da empresa numa timeline, bem como uma boutique, onde podem ser encontrados livros e filmes relacionados com a história da companhia.

Ao O Globo, Rocha Miranda citou que a intenção é transformar a página num hub de informações da empresa, bem como aprimorar a coleção disponível na boutique, incluindo maquetes e outros artigos oficialmente licenciados com a marca da Panair do Brasil.

Além disso, existe a intenção de produzir uma minissérie para TV tendo por inspiração o livro “Pouso Forçado”, de autoria de Daniel Leb Sasaki. Essa é uma leitura obrigatória para quem gosta de aviação ou quem deseja entender em detalhes o que levou ao fim da Panair do Brasil. Na produção da obra, Sasaki teve acesso a materiais e documentos da época do regime militar através da Lei de Acesso à Informação, que mostram os bastidores de uma “falência” forçada.

Acervo disponível

Além dessa novidade, desde maio o Museu Histórico Nacional disponibiliza online 271 itens da coleção Panair do Brasil.

Resultado de doações feitas por ex-funcionários da empresa e familiares, parte da coleção foi exibida ao público ano passado na exposição “Nas asas da Panair”, que traçou um panorama histórico de uma das empresas pioneiras da aviação comercial no Brasil, tendo funcionado entre 1929 e 1965.

Todos os itens online encontram-se com foto e descrição completa na coleção digital. Tem de tudo o que você possa imaginar e que relembra as operações de uma das mais pujantes empresas brasileiras, fechada após decreto

Também está disponível na biblioteca digital do MHN o catálogo da exposição “Nas asas da Panair”, que reúne imagens da coleção, conta parte da história e traz uma cronologia da empresa.

Sobre a Panair

Há 90 anos, em outubro de 1929, surgia no Brasil uma subsidiária da americana Nyrba (Nova Iorque – Rio – Buenos Aires) que, no ano seguinte, incorporada pela Pan American, passou a se chamar Panair. Era a Panair que, nos anos 1930, atendia a Amazônia, promovendo a integração da região com o resto do país. Com seus hidroaviões, levava carga e remédios e transportava doentes.

Em 1961, com a entrada dos empresários Celso da Rocha Miranda (1917-1986) e Mario Wallace Simonsen (1909-1965), a Panair teve seu longo processo de nacionalização concluído. A Panair do Brasil se tornou uma das maiores companhias aéreas do mundo e a excelência de atendimento nos voos e em terra rendeu-lhe a expressão “padrão Panair” para designar qualquer coisa que fosse de alta qualidade fora do âmbito da aviação.

Em 10 de fevereiro de 1965, a Panair do Brasil teve suspensas todas as suas concessões de voo, por um despacho do presidente da República Marechal Castello Branco.

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