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Pandemia encerra carreira de piloto tido como herói após pousar A380 com falha grave no motor

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IMAGEM: via Traveller.com.au.

O comandante Richard Champion de Crespigny, da Qantas, que em 2010 evitou um acidente que poderia ter resultado em algo mais grave, irá antecipar a aposentadoria por causa da COVID-19. O piloto está sem voar desde março por causa da crise da aviação mundial e disse que não pretende mais continuar na carreira depois de 45 anos de trabalho.

O caso

Em 4 de novembro de 2010, o voo QF32 da Qantas fazia a rota Londres-Sidney via Cingapura, em A380 lotado. Em certo momento, a aeronave sofreu uma pane, seguida de uma explosão em um de seus quatro motores Trent 900. A falha ocorreu na Ilha Batam, na Indonésia, quatro minutos após a decolagem do Aeroporto Changi, de Cingapura. De Crespigny estava no comando da situação e, após voar por quase duas horas para avaliar a condição, decidiu retornar ao Aeroporto de Changi e fazer um pouso de emergência.

A operação foi um sucesso e nenhum dos 440 passageiros e 29 tripulantes a bordo sofreu qualquer ferimento. Durante uma inspeção após o incidente, foi descoberto que o disco de turbina no motor 2 havia se desintegrado. Isso causou profundos danos à asa e no sistema de combustível, além de comprometer trem de pouso, controles de voo, controles do motor, e provocar um incêndio em um tanque de combustível, que se autoextinguiu.

Dano no motor do A380. IMAGEM: Australian Transport Safety Bureau/Wikimedia

Herói

De Crespigny foi celebrado como herói, pois soube manter o controle e tomou as melhores decisões, ainda que as ações tenham sido treinadas anteriormente. Agora, no aniversário de 10 anos do ocorrido, o piloto decidiu antecipar a aposentadoria, aos 63 anos de idade.

A Covid-19 encerrou minha carreira de aviador profissional de 45 anos”, disse ele em entrevista ao portal australiano Traveller. “No momento, estou parado e no limbo, sem voar desde março e vou me aposentar mais cedo a partir de 30 de novembro”, disse o comandante.

O profissional integra o quadro de pilotos da Qantas há 35 anos. A companhia, que acaba de completar 100 de anos de existência, enfrenta uma grave crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Os voos internacionais estão suspensos e opera com apenas parte da operações domésticas regulares. A previsão, é que a situação não melhore significativamente até a abertura até a disponibilização de uma vacina contra a COVID-19, já que a empresa é extremamente dependente das conexões internacionais.

Nessa situação, de Crespigny viaja pelo mundo em apresentações para governos e empresas sobre os elementos de resiliência pessoal, corporativa e nacional. É patrono de duas instituições de caridade e é o Embaixador da Qualidade e Segurança no Hospital São Vicente de Sydney. Escreveu dois livros sobre a experiência: QF32 , foi um best-seller internacional em 2012 e detalha os acontecimentos daquele dia. Já FLY! Life Lessons from the cockpit of the QF32 foi lançado em 2018 e destaca a importância da resiliência em situações de crise. Nenhum dos dois foi editado no Brasil.

Agora, de Crespigny pretende curtir a aposentadoria, mas sem se esquecer dos anos dedicados a aviação e especialmente, ao maior avião do mundo. “Vou olhar para cima e ver os A380s com memórias semelhantes às de Neil Armstrong, quando ele olhou para o céu e imagina sua pegada na lua”, explica. Ele também vai aprofundar as palestras e a divulgação da sua experiência de vida como forma de ajudar profissionais de todas as áreas a lidarem com as dificuldades do dia a dia.

Avião Airbus A380 Qantas

Com informações Traveller.com.au.

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