Passageira passa 13 horas com tornozelo quebrado a bordo de voo para Dubai

Uma passageira se machucou durante uma turbulência severa num longo voo da Emirates Airline para Dubai, ainda seguiu viagem por mais 13 horas, aponta um relatório emitido pela Autoriade da Aviação Civil dos Emirados Árabes (GCAA).

Avião Airbus A380 Emirates
Imagem: Emirates

O caso foi reportado pelo site Paddle Your Own Kanoo de acordo com o relatório emitido pela GCAA recentemente. A situação teria ocorrido numa das principais rotas da companhia, entre Los Angeles e Dubai, que era operada pela maior aeronave de passageiros do mundo, o Airbus A380, em 2 de fevereiro deste ano – voo EK216.

A bordo, estavam 333 passageiros e 24 tripulantes, numa jornada que dura 15 horas sem escalas. Uma hora e meia após a decolagem e enquanto a aeronave cruzava a 33.000 pés (~11 mil metros), o aviso de cintos de segurança estava apagado e uma passageira foi até o banheiro enquanto a aeronave sobrevoava as Montanhas Rochosas, a maior cadeia de montanhas dos EUA, dividindo a costa oeste com o meio-oeste do país.

Durante esse sobrevoo, a aeronave enfrentou uma severa turbulência de céu claro, vindo a perder alguma altitude e demonstrar grande instabilidade, o que fez com que a passageira da classe econômica acabasse “voando” dentro do lavatório, e no “pouso” acabou pisando de mal jeito, fraturando o tornozelo.

Segue o voo

Ela foi prontamente atendida pelas comissárias, que prestaram os primeiros-socorros enquanto a turbulência ainda afetava a aeronave. Embora nenhum outro passageiro tenha se ferido, o relatório da GCAA aponta que a turbulência de céu claro durou 54 minutos.

Algo que chamou a atenção dos investigadores e foi alvo do reporte final refere-se ao fato da lesão da passageira ter sido considerada grave e que, mesmo sem conseguir colocar os pés no chão, o voo seguiu até Dubai em 13 horas de viagem. Em outras situações semelhantes, voos acabam alternando a outros aeroportos para que o passageiro receba cuidados médicos.

Certamente, a passageira disse à tripulação que conseguiria seguir viagem, mas a dor deve ter sido terrível. Dessa forma, como o ferimento da passageira não trazia risco à sua vida ou à segurança do voo, a tripulação optou por seguir adiante.

Conclusões

A investigação revelou que, apesar de vários corrimões estarem presentes no lavatório, exatamente para os passageiros se segurarem em caso de turbulência ou outra necessidade, eles não eram suficientes, já que o mais próximo da passageira ferida estava atrás dela. Sendo assim foi emitida uma recomendação para instalação de mais barras de corrimão, assim como placas avisando onde elas estão localizadas.

Por outro lado, as autoridades afirmaram que a tripulação não teve como saber antecipadamente da turbulência, e que assim que a aeronave foi atingida pela mesma, seguiu os procedimentos normais para o caso.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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