Passageiro tira foto em voo noturno e descobre que estava diante de fenômeno natural

Um passageiro a bordo de um voo que passava próximo ao círculo polar ártico, no Norte do globo terrestre, surpreendeu-se ao descobrir em uma foto que o céu totalmente preto que via pela janela não estava tão preto assim.

Pierre T. Lambert teve muita sorte em seu voo de Chicago, nos Estados Unidos, para Seul, na Coréia do Sul. Fotógrafo, Pierre até pretendia capturar algo com sua potente câmera, como por exemplo a Via Láctea, aproveitando-se do céu extremamente escuro.

Mas a captura do fenômeno típico daquela região, a Aurora Boreal, que “pinta” o céu noturno com luz verde por conta do choque de partículas, vindas do Sol, com partículas da atmosfera da Terra, foi totalmente inusitada.

Durante seu voo, Pierre olhava pela janela e só via escuridão. Nem Via Láctea, nem Aurora. Isso porque o fenômeno, apesar de emitir ondas eletromagnéticas, ou seja, emitir luz, às vezes ocorre em baixa intensidade, não sendo visível a olho nu.

“A certa altura, talvez duas horas depois de muita observação, pensei: ‘bom, vamos verificar o que há por aí’”, lembra Pierre. “Vi apenas uma ou duas estrelas e algumas nuvens.”

Mas ele pensou, “por que não tentar?” Então, ele colocou sua câmera Sony a7R III e a lente G-Master de 16-36 mm f / 2.8 contra a janela do avião, elevou seu ISO até a configuração máxima de 102.400 (aumentar o ISO permite pegar mais luz pelo sensor da câmera) e fotografou uma exposição de 1,6 segundos (deixar o sensor exposto por mais tempo também resulta em mais captura de luz).

Para sua surpresa, foi isso que apareceu no visor da câmera:

Passageiro fotografa aurora boreal janela avião

Ele não podia acreditar. O lado de fora parecia escuro a olho nu, então ele realmente pensou que não podia ser real. “Isso tinha que ser ruído, certo?”, pensou ele (ruído são imperfeições que aparecem na imagem quando um ISO muito alto é utilizado). Mas Pierre estava errado.

“Reduzi o ISO, aumentei a velocidade do obturador e tirei outra foto”, continua Pierre. “Foi quando eu percebi que não estava tendo alucinações. Eu realmente tinha as luzes do Norte acontecendo do lado de fora da minha janela!”.

Como qualquer bom fotógrafo, ele enlouqueceu por um segundo, ajustou as configurações da câmera e começou a fotografar, fotografar e fotografar. Tentou proteger sua câmera de quaisquer reflexos vindos de dentro da cabine e disparou sua câmera até ter fotos suficientes para montar um vídeo em timelapse, que você verá ao final.

Veja algumas fotos que ele postou em seu Instagram depois de desembarcar:

Dessa experiência de Pierre, podemos tirar duas conclusões importantes. Primeiro, sempre, sempre, sempre pegue um assento na janela. E segundo, só porque seus olhos não podem ver algo, não significa que sua câmera também não. Às vezes vale a pena apenas tentar. Você nunca sabe o que irá capturar.

Confira a seguir o vídeo completo feito por Pierre sobre sua experiência inesperada, e veja a animação dele logo no começo do vídeo ao desembarcar! (Por volta dos 50 segundos você já consegue ver algumas imagens do timelapse).

Depois, aproveite para ver logo abaixo do vídeo as duas matérias das bonitas visões que um passageiro e dois comandantes também tiveram em voo, mas em casos diurnos.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.