Pelos funcionários (e pela economia), aviões da Ryanair não voam no Natal

Em uma tradicional atitude, a Ryanair, polêmica precursora do modelo low-cost no mundo, não voa no dia de Natal. Trata-se de uma tradição que a empresa cultiva já há alguns anos.

737 Ryanair

Mesmo passando por problemas e prejuízos oriundos da parada dos Boeings 737 MAX e ter fechado bases operacionais, a empresa decidiu manter sua tradição e compensar seus funcionários neste Natal e os dispensou todos do trabalho para passarem o feriado com a família.

A medida sempre é tomada sem muito alarde (sem muito marketing em cima) e a informação nos foi lembrada por leitores que moram na Europa. Estas pessoas nos comunicaram que todos os voos da Ryanair para o dia 25 estavam cancelados e que as decolagens mais no final do dia 24 também. Isso afetou toda a rede como os movimentados aeroportos de Porto, Toulouse, Dublin e Milão.

No entanto, a verdade é que não havia nem reserva disponível para esses voos, como se pode constatar através de pesquisa no site da empresa. Uma pesquisa no site da companhia, por exemplo, mostrou que não é possível comprar passagens para o dia 25 de dezembro na rota Londres – Dublin, sendo que esta rota conta com sete voos diários.

Imagem do FlightRadar24, com filtro dos voos da Ryanair neste Natal

Embora o dia 25 de dezembro tenha menos pessoas viajando, até onde se tem notícia, a Ryanair é a única companhia aérea que realiza uma ação como essa. Obviamente, a decisão da empresa não se limita ao espírito natalino. Por ser um dia de baixa demanda, talvez ela considere que simplesmente não vale a pena tirar os aviões do chão e voar com eles vazios.

Segundo informações de sistemas de reservas, os voos da Ryanair serão continuados no dia 26 de dezembro.

Precursora do modelo low-cost

A companhia foi precursora do modelo de baixo-custo na Europa após a desregulamentação do setor em 1987, que permitiu o total livre mercado no setor aéreo, seja por cobrança livre de preços e também de bagagens além de outros serviços considerados “extras”.

Com sede em Dublin na Irlanda, a empresa hoje emprega hoje 19 mil pessoas em 86 bases por todo continente Europeu e norte da África, chegando a 2.400 voos em 40 países diferentes.

Os números são grandes, já que a sua frota composta exclusivamente de Boeings 737 chegou a marca de 475 aviões neste ano. Não mais devido à crise do 737 MAX, que levou a empresa a cortar pessoal e fechar algumas bases.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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