Perigo no ar: Rússia pode ter 400 aviões irregulares e pilotos sem horas de voo

Sukhoi Superjet 100 acidentado em maio

No dia 5 de maio de 2019, um Sukhoi Superjet 100 se acidentou em Samara, matando 41 pessoas. Análises dos gravadores de voo indicam que os pilotos tiveram problemas com os sistemas de controle de voo e de rádio, gerando a cadeia de eventos que resultaria na fatalidade.

Agora, um mês e meio depois, representantes do governo russo passaram a colocar em cheque a cultura de segurança em todo o país. O promotor russo Yury Chaika aponta que deficiências no treinamento de pilotos e inadequadas políticas de segurança podem causar mais acidentes.

Ao parlamento russo, ele declarou que 550 pilotos foram suspensos desde 2017 devido à falta da habilidade e problemas para lidar com situações de emergência. Fiscalizações recentes também encontraram até o momento 400 aeronaves com manutenção irregular, incluindo aeronaves de linhas aérea. Chaika e outros promotores pedem que essas aeronaves parem de voar imediatamente.

Há muitos incidentes e acidentes ocorrendo todos os dias na Rússia que não chegam à mídia, apenas quando há algo em larga escala, como aconteceu com o Superjet 100, é que a opinião pública acaba tornando-se ciente dessas condições.

Padrões não definidos e licenças sem horas de voo

O promotor Chaika culpa várias razões, dentre elas a falta de um fiscalização contínua e falta de objetivos claros para o programa de segurança definido pelo governo. Ele faz duras críticas ao Ministério do Transporte russo, dizendo que nunca fez nada a respeito e que negligenciou a definição de padrões de manutenção e de treinamento.

Análises também levaram à conclusão de que, na Rússia, há uma falta de instrutores qualificados, bem como de instalações de treinamentos apropriadas. Diversas escolas fecharam nos últimos anos devido à falta de recursos. E o resultado desse problema é muito grave, com licenças sendo atribuídas sem o treinamento adequado e as horas de voo requeridas.

Com informações do aeroTelegraph

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.