Pesquisa mostra quais os voos de longo curso que não existem, mas deveriam

longo curso
Los Angeles aparece duas vezes na lista

Os analistas da OAG fizeram um estudo muito interessante em que compilaram as 10 melhores “rotas de longo curso não atendidas”. Essas 10 rotas super longas atualmente têm em média 170.000 passageiros anuais e um alcance médio de 7.500 milhas, embora, é claro, os passageiros que voam hoje tenham que conectar-se entre voos pelo menos uma vez em cada direção. 

As 10 principais rotas operam de e para destinos na Ásia, com cinco conectando a Ásia e os Estados Unidos e as outras cinco conectando a Europa, Oriente Médio e Ásia.

Elos perdidos

Nessa lista, o vencedor do “elo perdido” é Los Angeles – Ho Chi Minh City, no Vietnã. A rota de 8.169 milhas está confortavelmente dentro do alcance de aeronaves atuais como o Airbus A350 e o Boeing 787, mas nenhuma empresa ainda está voando nesse trecho. No ano, até julho de 2019, mais de 270.000 passageiros voaram entre as duas cidades, principalmente conectando-se na China ou no Japão.

O motivo desta rota não existir é simples: a Guerra do Vietnã. Desde o reestabelecimento das relações diplomáticas entre os EUA e o Vietnã, nenhuma aérea vietnamita foi classificada como segura pelos EUA e o mesmo pelo país que fazia parte da Indochina.

Porém isto está para mudar agora com a Bamboo Airways, que está sendo classificada pelo Departamento de Transporte dos EUA como de categoria 1, permitindo assim voos diretos.

Dhaka (Bangladesh) a New York foi a surpresa da lista da OAG

Mas Deirdre Fulton, que escreveu o relatório para a OAG, disse: “Existem pontos de interrogação sobre a viabilidade financeira da rota. “É um mercado em que há passageiros suficientes preparados para pagar um bilhete para viajar direto? “Qualquer que seja o tamanho do mercado, a economia de rotas pode impedir que esse voo decole.”

Confira a lista da OAG, considerando a quantidade de reservas feitas para cada rota e a marcação da distância em milhas náuticas (~1.85 km por milha náutica)

Para entender os códigos de três dígitos, use a seguinte chave: LAX (Los Angeles), SGN (Ho Chi Minh City), BKK (Bangkok), BNE (Brisbane), LHR (Londres), SFO (San Francisco), DAC (Dakha), JFK (New York), CDG (Paris), DPS (Denpasar), BEY (Beirute), SYD (Sydney).

Duas rotas para aviões do futuro

Duas dessas rotas, Paris a Bali (CDG-DPS) e Londres a Brisbane (LHR-BNE) estão a uma distância além do alcance de qualquer aeronave comercial atualmente, com uma grande distância de 9.149 milhas náuticas e 8.932 milhas náuticas entre o origens e destinos, respectivamente. O tempo de voo para essa distância seria superior a 20 horas. O desafio para as companhias aéreas é se esses tipos de rotas de longo curso seriam sustentáveis ​​- ambiental e financeiramente. 

As oito rotas restantes estão ao alcance das aeronaves de hoje. Além de Los Angeles – Ho Chi Minh que falamos acima, outros 171.000 passageiros viajaram entre São Francisco e Ho Chi Minh, refletindo o forte crescimento que o Vietnã está experimentando atualmente como destino turístico. Bangkok na Tailândia também é popular, com mais de 250.000 passageiros viajando de Los Angeles indiretamente para Bangkok e 140.000 do aeroporto JFK de Nova York.

787-9 da Qantas

Até recentemente, nem as transportadoras tailandesas nem as vietnamitas eram capazes de operar nos EUA devido à falta de licenças necessárias, mas a Vietnam Airlines recebeu recentemente as permissões depois de atingir os padrões da FAA dos EUA. Enquanto a Vietnam Airlines opera A350-900, que podem cobrir confortavelmente as 11.000 milhas entre o LAX-SGN.

Embora haja uma demanda aparente por muitas dessas rotas indiretas, para as rotas de longo curso, os custos operacionais são muito mais altos, pois o combustível para toda a rota deve ser transportado a bordo, bem como a equipe de bordo extra necessária para esses setores longos. 

Equilibrar isso e garantir que passageiros possam ser transportados é um desafio e permanece a questão de saber se há pessoas suficientes que desejam pagar um bilhete para viajar diretamente. Ainda não dá para saber se essas rotas decolam.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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