Pessoas se aglomeram para ver voo sem destino do Airbus A380 da ANA

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Foto de Masakatsu Ukon / CC BY-SA via Wikimedia Commons

Nesse domingo, 22 de agosto, mais um voo com destino a “lugar nenhum” decola no mundo, dessa vez realizado por um gigante Airbus A380 da japonesa All Nippon Airways com a pintura da simpática “Flying Honu”. Talvez você se lembre quando falamos desse voo no final de julho.

Com número NH2030, o voo foi operado pelo A380 registrado JA381A, decolado de Tóquio – Narita às 14h06 e retornando às 16h14 locais, perfazendo pouco mais de duas horas de voo sobre as regiões de Saitama, Gunma, Nagano, Gifu, Aichi, Shizuoka e sobre a ilha de Miyake. Diferente de outros voos sem destino que temos visto por aí, esse foi operado em altitude normal de cruzeiro, ou seja, a 38.000 pés ou mais de 12 mil metros de altitude, o que significa que não foi um voo de observação.

E, de fato, o voo não foi originalmente organizado para mera observação das paisagens, mas sim para que a aeronave saísse do chão antes de completar noventa dias parada. Segundo a ANA, essa é uma requisição do fabricante, onde é necessário içar a aeronave para aliviar a pressão sobre o trem de pouso principal a cada 90 dias.

A rota do voo via Flightradar24

Quem voou teve sorte

A quem quisesse embarcar, o assento na Classe Econômica estava disponível a partir de 19.000 ienes (154 euros). Aqueles que preferiram voar na Business ou Primeira Classe precisaram pagar um pouco mais: 35.000 ienes (283 euros) ou 50.000 ienes (405 euros), respectivamente. Claro que o preço é baixo se comparado ao de um voo normal, mas foi uma ótima oportunidade para a ANA fazer um dinheiro extra numa operação que seria só custo.

Para se ter uma ideia, havia 334 pessoas a bordo, selecionadas por loteria já que a proporção de procura para esse voo foi da ordem de 150:1. Ou seja, para cada assento, havia 150 pessoas disputando. Não foram colocados à venda todos os 520 lugares disponíveis no gigante A380 a fim de manter o distanciamento social.

Enquanto isso, do lado de fora, muita gente usou os mirantes do terminal do aeroporto e as áreas de cabeceiras para acompanhar a decolagem e o pouso do gigante.

Festa no Embarque

Como a maior parte dos viajantes de Tóquio para Tóquio era de entusiastas de aviação, então houve festa durante todo o voo. A ANA queria tornar a experiência memorável e fez uma recepção especial aos viajantes de um dia, inclusive promovendo a mesma experiência que têm os turistas que viajam ao Havaí nessa mesma aeronave.

Para criar toda uma atmosfera especial, foi exibido um vídeo mostrando o Havaí, tiveram sorteios, foram servidas bebidas tropicais como suco de abacaxi e mojito e os participantes ganharam lembranças de produtos originais. Até um certificado do voo foi distribuído aos presentes.

Izumi Omori, da Divisão de Viagens Domésticas de Vendas da ANA, que planejou o voo turístico disse que está empolgado com a experiência: “Recebi muitas opiniões positivas e quero fazê-lo [o voo] novamente. Gostaria de considerar a inclusão de outro aeroporto [no próximo]”.

Teste com passageiros

Essa foi a primeira vez que a ANA recebeu passageiros pagantes a bordo de um voo de testes. No final de julho, quando o voo foi programado, a ANA disse que organizou o evento para responder às vozes de clientes que desejavam experimentar um voo turístico no Airbus A380 ‘Flying Honu’”.

A ANA emprega seus dois A380 exclusivamente na popular rota de férias de Tóquio a Honolulu. No entanto, o Havaí ainda tem uma proibição de entrada e, desde março, os A380 de matrículas JA381 e JA382 estão oficialmente parados na capital japonesa, sem uma previsão de retorno. Um terceiro A380 está pronto na fábrica da Airbus, mas a ANA pediu para postergar a entrega para o final desse ano.

As “tartarugas voadoras” da ANA estão certamente entre os A380 mais impressionantes do mundo, por sua vistosa pintura, que caiu perfeitamente na fuselagem do superjumbo. Os aviões foram apelidados de “Flying Honu”, em homenagem à tartaruga-verde do Havaí.

Legenda das fotos abaixo: centenas de pessoas de ajuntaram na zona de cabeceira da pista de Tóquio para ver a decolagem e o pouso do gigante.

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Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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