Polícia apreende milhões de dólares no 777 da Guiné Equatorial que pousou em Viracopos

Na última sexta-feira, 14 de setembro de 2018, uma bonita aeronave chamou a atenção dos amantes da aviação ao pousar no Aeroporto Internacional de Viracopos. O Boeing 777-200 de matrícula P4-SKN pertence ao governo do país africano Guiné Equatorial e ostenta uma bela pintura exclusiva. Mas até o seu pouso no Brasil, ninguém imaginava que o mesmo estaria envolvido em uma apreensão financeira milionária e, possivelmente, muito polêmica.

avião Boeing 777-200 Guiné Equatorial Viracopos

Boeing 777 da Guiné Equatorial no pátio de Viracopos




Apesar de pertencer ao governo do país africano, e de estar a bordo uma comitiva governamental com o filho do governante ditador do país, o voo não foi realizado como uma missão oficial diplomática. Dessa forma, por se tratar de um voo executivo privado, a Polícia Federal de Viracopos optou por efetuar procedimentos padrões de abordagem, com a realização de revista das bagagens desembarcadas no Brasil. E o resultado foi surpreendente!

Milhões de dólares em dinheiro e em joias foram encontrados nas malas da comitiva. E como não havia qualquer declaração oficial de entrada dos bens no país, que deveria ser efetuada pelos passageiros do voo, a Polícia Federal executou a apreensão dos bens para interrogatório dos proprietários, para que expliquem os motivos de trazerem quantias tão significativas sem declaração.

Uma das malas continha mais de US$1 milhão

A situação levanta questionamentos sobre a idoneidade da riqueza trazida. E o histórico das relações internacionais dos governos ditatoriais da Guiné Equatorial é bastante revelador. Eles são investigados há anos por diversos países que os acusam de fazer parte de esquemas internacionais de fraudes e lavagem de dinheiro. Tudo isso enquanto “governam” um país assolado pela pobreza extrema.

E no Brasil, as relações com os esquemas de corrupção daquele país são bastante conhecidas. Conforme divulgado nos últimos anos por grandes portais de notícias, ao longo dos últimos governos brasileiros diversas empreiteiras nacionais investigadas por corrupção efetuaram grandes projetos na Guiné Equatorial. E sabe-se também que o carnaval carioca foi patrocinado pelas mesmas empreiteiras, no que seria um esquema de transferência de dinheiro por parte do governo do país africano para uma escola de samba através das empreiteiras.

Destaca-se ainda o fato de que vinha sendo comum ao longo dos últimos anos ver aeronaves da companhia aérea Ceiba Intercontinental, baseada na Guiné Equatorial, operando voos esporádicos nos Aeroportos de Guarulhos e de Viracopos. E por coincidência (ou não!) tais voos passaram a ser cada vez mais raros após o fim do governo do PT com o impeachment da presidente brasileira.




Segundo reportou o portal G1, quando agentes da Receita e da PF tentaram analisar o conteúdo das malas, seguranças que estavam no voo tentaram impedir, e houve confusão. Em depoimento à Polícia Federal o secretário da Embaixada da Guiné Equatorial explicou que o filho do ditador veio ao Brasil para tratamento médico, e que a quantia de US$ 1,4 milhão em uma das malas seria utilizada em missão oficial posterior, com destino a Singapura.

Parece que a comitiva da Guiné Equatorial precisou de boas explicações sobre o montante trazido ao Brasil nesta semana, às vésperas da eleição nacional. A aeronave decolou de volta para a África na manhã deste domingo, por volta das 6h00. Talvez Sérgio Moro esteja bastante interessado no conteúdo deste interrogatório da Polícia Federal de Viracopos!

Confira a seguir o vídeo do pouso do Boeing 777 no Aeroporto de Viracopos.

 

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.