Cessna teria ‘feito sozinho’ a curva para cima do avião da Gol, diz Governo paranaense

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O Governo do Paraná afirmou ontem (19) que o Cessna C208 Caravan que entrou em rota de colisão com o Boeing 737 da GOL fez curva para o lado errado por causa de erro do piloto automático.

Cessna C208 envolvido na ocorrência – Jonathan Campos / Governo do Paraná

Na data de ontem, o AEROIN mostrou um caso de ‘close-call’ (termo que indica risco de colisão), quando um Cessna C208 Caravan do governo paranaense decolou do Aeroporto Bacacheri, em Curitiba, e fez uma curva errada, entrando em rota de colisão com um Boeing 737-800 da GOL que pousava no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais.

O Cessna Caravan estava levando um carregamento de doses da vacina Coronovac para Londrina, onde chegou em segurança após o ocorrido.

A aeronave ficou ao menos 3 milhas náuticas (5,5km) de distância do avião da GOL, o que se estima que levaria a um impacto em 25 segundos ou menos se as condições de velocidade e direção de voo fossem mantidas, pois, o piloto da GOL afirmou que teve um TCAS RA, ou seja, um Aviso de Resolução do equipamento TCAS, que existe para evitar colisões aéreas.

O TCAS capta sinais de transponders próximos para gerar alertas visuais e aurais para a tripulação, a fim de evitar qualquer tipo de incidente ou acidente.

Após alerta da controladora de voo e do equipamento do Boeing 737, as aeronaves tiveram seus rumos modificados e voltaram a se distanciar.

O Governo do Paraná informou em nota oficial enviada ao Plantão 190, que a compartilhou com o AEROIN, que a aeronave entrou em rota de colisão por um erro do piloto automático:

Segundo relato do comandante da aeronave prefixo PP-MMS, após todos os procedimentos técnicos de decolagem, o piloto automático, devidamente acoplado, apresentou uma atitude inesperada, curvando à direita. Diante disso, a tripulação tomou os procedimentos técnicos necessários, porém este não respondeu de imediato, e logo após foi obtida a informação de tráfego. Nesse momento, foi desacoplado o piloto automático e retomado o procedimento de decolagem sem o auxílio do equipamento.

Ressaltamos que não houve um acidente, mas um incidente, o qual foi devidamente reportado às autoridades aeronáuticas. Dentro da dinâmica da aviação, foram tomadas as medidas técnicas mitigadoras para manter a segurança de voo. Isso significa que a tripulação estava atenta e segura em seus procedimentos. Após a Casa Militar tomar conhecimento do fato, determinou que a aeronave permanecesse em solo, até a intervenção de manutenção. Nesse tocante, destacamos que todas as aeronaves sob responsabilidade do órgão estão com suas manutenções em dia. Em relação ao incidente, sem prejuízo da apuração aeronáutica, a Casa Militar irá realizar uma averiguação interna do ocorrido.

É esperado que o CENIPA investigue o caso em breve, e assim que as informações preliminares forem divulgadas pelo órgão, iremos apresentá-las aqui no AEROIN.

Para rever os detalhes da ocorrência de ontem, incluindo o áudio das conversas entre a controladora de tráfego aéreo e os pilotos, clique aqui ou no título a seguir.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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