Piloto da Esquadrilha da Fumaça está rifando raro uniforme em ajuda a bebê com doença rara

Ilustração da Galeria Crescenti – Foto FAB

Há alguns meses, um grupo de pilotos e profissionais da aviação tem se mobilizado para apoiar o pequeno João Emanuel, um bebê gaúcho de pouco mais de um ano de idade que sofre de uma doença rara chamada Atrofia Muscular Espinhal Tipo 1, ou apenas AME.

A AME causa falta de uma proteína essencial para as células que controlam os músculos e, em último caso, pode impedir que a criança consiga sentar sozinha e levar até a perda total de sua movimentação. Para evitar este diagnóstico, é necessário que o João, ou qualquer criança com AME Tipo 1, tome um remédio chamado Zolgensma, que custa mais de R$ 10 milhões de reais (pode ser até mais, dependendo da cotação do dólar, já que é um medicamento importado), e que não é coberto pelo SUS.

Várias campanhas na internet estão apoiando o pequeno João, que tem um gosto especial por aviação, se acalmando quando vê uma aeronave. Isso sensibilizou muito as pessoas do setor aéreo e muitas ações estão sendo tomadas, como você vê no final dessa matéria. Um valor relevante já foi arrecadado, mas ainda há um caminho a percorrer.

Fumaceiro doa macacão histórico

Dentre essas iniciativas, está a do ex-fumaceiro Ruy Flemming, largamente conhecido na aviação por sua experiência e engajamento com causas em apoio às melhorias na aviação brasileira. Ele, que voou num dos esquadrões mais populares da Força Aérea Brasileira, a Esquadrilha da Fumaça, está doando um raro macacão que usou em shows aéreos pelo Brasil e pelo mundo para que seja rifado e o resultado seja doado à campanha do João.

Há duas semanas, Flemming postou em seu perfil no Facebook a informação da rifa, que ocorre no dia 9 de janeiro e na qual cada número custa R$ 10,00. Trata-se de um item de colecionador que faz parte da história da Esquadrilha da Fumaça e tem grande valor sentimental para o comandante, que abre mão em prol de uma causa urgente.

A rifa está aberta no sistema RifaTech, nesse endereço. Veja abaixo a publicação original do comandante Flemming.

A história do uniforme

A história do macacão é contada pelo próprio Flemming. Em 1993, a equipa da Esquadrilha passaria cerca de um mês fora de casa e voaria nos mesmos eventos onde estariam os Thunderbirds, Blue Angels e Snowbirds, além de outras esquadrilhas de demonstração. de todo o mundo.

Nas palavras do Flemming: “Estaríamos representando o Brasil lá fora e tínhamos que fazer bonito. Falando nisso, nossos macacões de voo estavam bem ruins. Eram aqueles verdes, mas as partes mais atingidas pela exposição ao Sol ficavam num tom marrom. Definitivamente não estavam bonitos. Foi nessa época que recebemos, da FAB, nossos macacões de voo azuis. Novinhos! Bem bacanas! Macacão, luvas, capacete e outros itens são equipamentos de segurança que a FAB nos cede para podermos cumprir nossas missões com segurança. Paralelamente resolvemos, nós mesmos, fazer um macacão de voo “social”. A ideia era usá-lo quando fôssemos aos eventos que costumam acontecer nessas ocasiões.

Ele destaca que não era, porém, o macacão oficial da FAB para voos, mas uma peça para eventos “sociais” dos pilotos, muito rara. “O tecido não é o anti-chama Nomex II. A cor e o desenho são ligeiramente diferentes daqueles que a FAB usa. Meu nome está bordado no tecido, em vez de usar aquela tarjeta padrão, com velcro. Ficou muito mais bacana que o original”, diz Flemming.

Comecei reorganizando meus itens antigos que ocupam lugar nos armários de casa. Descartei diversos, sem importância. Quando cheguei a esses macacões de voo, eu imaginei que poderia transformá-los em algum tipo de ajuda. Jogar no lixo jamais seria uma opção. A ideia inicial era uma instituição que tratou do meu irmão quando teve AVC. Seria uma forma de dizer: Muito obrigado. Eu queria deixar o macacão na instituição e eles fariam uma rifa ou leilão. Mas, por algum motivo legal, eles só podem fazer uma ação dessas uma vez por ano e já tinham outra prevista. Daí apareceu o João Emanuel. Daí apareceu o Fernando Crescenti na vida do João Emanuel. Daí veio a ideia de colocar esse macacão nessa campanha”.

Depois de 27 anos o macacão de voo encerra esse ciclo comigo e está destinado à missão de salvar uma vida. Emoção pura. Obrigado pelo seu apoio. Obrigado por divulgar. Forte abraço, Flemming”, conclui.

Como ajudar

Quem sentir de ajudar ao João Emanuel pode fazê-lo de muitas formas, que estão elencadas na página oficial da campanha em prol de sua vida. Conheça, se informe e, se sentir, ajude: https://www.facebook.com/amejoaoemanuel.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

Veja outras histórias