Piloto é obrigado a fazer um pouso forçado após passageira fingir emergência médica

Uma mulher está sob custódia policial depois de fingir uma condição médica de emergência em um voo da American Airlines, levando o piloto a, forçadamente, voltar ao aeroporto de origem.

Enquanto a American Airlines fazia tudo o que podia para garantir que as viagens do Dia de Ação de Graças fossem tranquilas, havia algumas coisas que saiam do controle.

Voo AA3508

O voo AA3508 é operado todos os dias na rota de Pensacola a Miami pelos Embraer E145 da Envoy Air em nome da American Eagle, a subsidiária regional da American Airlines. Naquela manhã bem cedo de 29 de novembro, no meio de um dos mais importantes e agitados feriados dos Estados Unidos, o voo estava adiantado, mas isso não impediu os passageiros de chegarem atrasados

Logo após a decolagem, uma mulher começou a gritar e dizer que estava passando muito mal, obrigando a tripulação a decidir pelo retorno a Pensacola, por motivos de segurança.

Mas algo aconteceu quando a aeronave pousou.

emergência
Rota do AA3508

A mulher se recusou a descer do avião

Segundo reportou a mídia americana, quando a aeronave chegou ao portão de embarque, a passageira se recusou a deixar a aeronave, o que levou ao envolvimento da polícia. Como ninguém conseguiu convencê-la a descer, a tripulação pediu aos outros passageiros que deixassem a aeronave enquanto as autoridades embarcavam no avião.

Não houve nenhum anúncio sobre os detalhes da reivindicação médica, mas a polícia acabou detendo a mulher, que acabou presa sob a Lei Baker da Flórida. Essa lei permite às autoridades manter sob custódia uma pessoa que possa representar uma ameaça para si ou para outras pessoas. Mais tarde, um porta-voz da polícia local informou que ela foi detida “por algo que ela falou aos policiais”, sem dar detalhes.

No entanto, o Associated Press sugere que a condição médica não era genuína. O site relata que a viajante falsificou uma emergência médica para tentar garantir um assento maior na aeronave. 

Por sua vez, o comunicado oficial da American Airlines não ajudou em nada no esclarecimento dos fatos. Ele dizia assim:

“Na sexta-feira, o voo 3508 da American Eagle retornou a Pensacola devido a um passageiro que solicitou assistência médica. O voo decolou às 5h43 e aterrissou em Pensacola às 6h26 e taxiou até o portão. Todos os passageiros desembarcaram normalmente no portão, passando pela porta principal de embarque. O passageiro foi posteriormente removido pela polícia e pessoal médico, e o voo decolou novamente às 7h41. ”

N664MS (Envoy Air)

Note que o comunicado da AA menciona que houve uma evacuação e que a polícia foi chamada para retirar a passageira. Obviamente que esse não é um procedimento padrão, afinal bastava retirar a passageira enferma e seus pertences antes de retomar o voo e não obrigar todos os demais a saírem.

O FR24 mostra que o voo retomou sua jornada para Miami às 7h41 e pousou às 9h56, com quase duas horas de atraso.

Passageiros que incomodam

“Raiva aérea” tem sido o termo usado para falar do comportamento perturbador e indisciplinado de um passageiro, variando de mexer com os comissários de bordo, recusar-se a sentar-se, brigar com outro passageiro e até, nos cenários mais extremos, tentar entrar na cabine de comando ou abrir a saída de emergência. Essas situações podem ser exacerbadas ou mesmo diretamente causadas pelo consumo excessivo de álcool, medo de voar, problemas de saúde mental ou outros problemas individuais com os quais o viajante está lidando.

As estatísticas registradas pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) sugerem que incidentes envolvendo passageiros indisciplinados de aviões estão aumentando. A Associação coleta dados sobre o comportamento perturbador dos passageiros desde 2007.

Os dados disponíveis mais recentes, de 2017, indicaram uma média de um incidente para cada 1.053 voos. Em 2016, a IATA relatou um incidente para cada 1.434 voos. Vale lembrar que nem todas as companhias aéreas que fazem parte da IATA enviam dados e nem todas as companhias aéreas registram todas as instâncias de comportamento indisciplinado. Em 2017, 81 companhias aéreas globais enviaram dados para mais de 900.000 voos.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.