Piloto preso após postar vídeos íntimos de comissária de voo é acusado novamente

Foto riko_23 via Pixabay (CC)

Um ex-piloto da United Airlines, que cumpriu pena em uma prisão federal americana, por postar fotos e vídeos íntimos de uma comissária de bordo, com quem namorou anteriormente, foi novamente acusado de persegui-la.

Segundo o Departamento de Justiça Americano (DOJ), Mark Joseph Uhlenbrock, 66, do subúrbio de Saint Louis, foi indiciado esta semana por um júri federal em San Antonio por uma acusação de perseguição na internet.

Uhlenbrock é acusado de usar a rede mundial para causar “sofrimento emocional substancial” à mulher de maio a setembro do ano passado, embora a acusação não forneça detalhes sobre seus supostos atos. Ele está sob custódia federal desde sua prisão em 10 de dezembro no Missouri.

Os promotores federais querem que Uhlenbrock fique detido até seu julgamento, alegando que o fato de ele estar solto ameaça a segurança de outra pessoa ou da comunidade. 

“Estamos apenas pedindo que a investigação seja completada e esperamos que ninguém se apresse em fazer o julgamento”, disse Shannon W. Locke, advogado de Uhlenbrock em San Antonio.

Condenação

Em 2016, Uhlenbrock foi condenado a 41 meses após se confessar culpado de perseguir uma mulher de San Antonio e divulgar seus vídeos íntimos. Foi revelado na sentença que ele teve duas condenações anteriores por denúncia de indecência, em 2004 e 2006, uma condenação por agressão de terceiro grau e outra por dirigir embriagado. Depois dessas primeiras condenações, ele teve permissão para continuar voando.

Os registros do tribunal mostram que, após ser libertado da prisão, Uhlenbrock foi preso novamente no início de 2019 por violar os termos de sua liberdade supervisionada. Com isso, ele foi condenado a seis meses de prisão fechada e foi libertado em agosto de 2019, mas ainda tinha três anos de liberdade supervisionada quando foi levado sob custódia em dezembro passado.

A United Airlines removeu Uhlenbrock da cabine de seus aviões no final de 2015 após sua prisão pelo FBI. No entanto, ele conseguiu se aposentar, ao invés de ser demitido. Ele estava na companhia aérea há mais de 30 anos.

Processo

A Equal Employment Opportunity Commission (EEOC) processou a companhia aérea com sede em Chicago em 2018 por causa da conduta de Uhlenbrock. A agência disse que a United falhou em proteger a comissária de bordo de assédio e um ambiente de trabalho hostil. A United concordou no final de 2019 em pagar à mulher, identificada no processo da EEOC como Jane Doe, em US$ 321.000 em indenização por danos para resolver a ação.

A mulher namorou Uhlenbrock por cerca de cinco anos, começando em 2002 e permitiu que ele tirasse fotos e vídeos dela nua. Ele também gravou um vídeo dela tomando banho de sol sem permissão. Uhlenbrock postou as fotos e vídeos em sites pornográficos sem permissão. A mulher rompeu o relacionamento após saber das postagens na Internet.

A EEOC alegou que a United falhou em prevenir e corrigir o comportamento de Uhlenbrock, mesmo depois que a comissária de bordo fez inúmeras reclamações e forneceu evidências substanciais de sua conduta para a companhia aérea. Ela reclamou pela primeira vez em 2011. A United disse que concluiu que a conduta de Uhlenbrock resultou de uma “relação consensual privada”.

O comissário também processou Uhlenbrock no Tribunal Distrital de San Antonio. Esse litígio foi encerrado por US$ 110.000, mostram os registros.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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