Pilotos são criticados por colegas após aceitarem trabalhar como comissários

Icelandair Pilotos
© Icelandair

A polêmica do mês passado envolvendo a empresa islandesa Icelandair, que ameaçou demitir seus comissários de bordo e colocar os pilotos para fazer seu trabalho, ainda não acabou. Ao contrário, os pilotos estão sendo duramente criticados por terem aceitado assumir o posto dos comissários de bordo, se assim fosse necessário.

O que houve

Tudo começou com a crise gerada pela pandemia do coronavírus, que forçou diversas empresas a reduzirem suas frotas resultando, naturalmente, em demissões. Mas a Icelandair havia oferecido um acordo para não demitir ninguém, que envolvia a redução de salários dos comissárioa.

No entanto, um acordo não foi atingido no primeiro momento com a entidade sindical dos comissários e, portanto, a empresa disse que não haveria outra alternativa senão demitir a todos e atribuir sua função deles aos pilotos, em um movimento nunca visto pela indústria.

A empresa chegou, inclusive, a anunciar à imprensa que os pilotos assumiriam temporariamente a função de comissários, sem dar muitos detalhes. Tal decisão, no entanto, foi revertida apenas dois dias depois, num domingo, quando se afirmava que um acordo havia sido atingido.

Com isso, os comissários foram reincorporados na empresa ainda no final de semana, mas o dano à imagem dos pilotos continuou entre seus colegas.

Pilotos criticados

Em uma carta aberta, a Federação dos Trabalhadores do Transporte da Europa está condenando a atitude dos pilotos, que aceitaram a imposição da companhia.

“Nós condenamos fortemente o comportamento da empresa – ofensivo tanto para os comissários como para os pilotos – como também condenamos as atitudes dos pilotos”, dizia a Federação.

“Os pilotos não rejeitaram o pedido da companhia e, inclusive, se colocaram a disposição para determinar a situação dos comissários colocando em risco suas imagens de pilotos profissionais e também colocando os padrões de segurança em risco”, afirmou a entidade.

Por fim, a Federação afirmou que as categorias de trabalhadores da Europa não podem se sobressair e devem trabalhar em conjunto para evitar uma situação “deplorável” como a da Icelandair.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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