Pilotos de 737 MAX processam Boeing por “estresse emocional”

O International Aerospace Law & Policy Group, da Austrália, e o escritório de advocacia PMJ PLLC, de Chicago, entraram com uma ação coletiva contra a Boeing em nome de mais de 400 pilotos de uma grande companhia aérea internacional, alegando indenização por danos causados ​​pela parada da frota de 737 MAX da empresa.

Os pilotos voam para uma companhia aérea que também emprega um piloto de 737 MAX aqui referido apenas como “piloto X”, ja que ele deseja permanecer não-identificado, por medo de represálias. O “piloto X” entrou com uma ação individual no final do mês passado, alegando perdas atuais e futuras decorrentes do “estresse psicológico” causado pelos dois acidentes que levaram ao aterramento da aeronave.

Os reclamantes ainda não registraram um valor por danos, mas o escritório de advocacia estima perdas em milhões de dólares “já que há certeza de que o piloto e sua carreira foram adversamente afetados pelo foco da Boeing nos lucros sobre a segurança”, disse um representante da firma.

“Quando os reguladores do mundo todo tiveram dúvidas sobre a segurança do projeto 737 Max da Boeing, eles agiram para aterrar a aeronave”, observou o diretor jurídico de uma das empresas, Joseph Wheeler. “Os fracassos da Boeing efetivamente aterraram uma legião de pilotos também, pilotos que não estavam cientes de que o equipamento que eles tinham em mãos era defeituoso e perigosamente projetado. Muitos pilotos em todo o mundo foram demitidos, tiveram que realocar bases, ou pelo menos sofreram uma diminuição significativa de oportunidades de voo e pagamento. Aplaudimos a coragem do “piloto X”, de responsabilizar a Boeing pelas perdas que esses pilotos enfrentam ”, complementou.

O “piloto X” planeja entrar com uma ação contra o governo dos EUA por negligência por parte da FAA, se seu advogado julgar a resposta da FAA inadequada. “As alegações refletem a opinião amplamente difundida de que a Boeing colocou seus lucros corporativos à frente da segurança da aviação, bem como a segurança dos passageiros, que colocam sua confiança nos pilotos”, disse Jones do PMJ. “Os pilotos confiavam na Boeing, mas essa confiança foi claramente abusada”, finalizou.

Com informações da CNN

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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