Pilotos do jatinho usado na fuga do brasileiro Carlos Ghosn vão para a cadeia

Foto de flybyeigenheer, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia

Um tribunal turco condenou dois pilotos e um oficial da companhia aérea MNG Airlines por envolvimento na cinematográfica fuga do ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn, do Japão em 2019. O tribunal de Istambul condenou cada um deles a quatro anos e dois meses de prisão nessa quarta-feira, 24 de fevereiro.

O tribunal também absolveu dois outros pilotos da acusação de “traficar ilegalmente um migrante”. Dois comissários de bordo também foram absolvidos por não terem relação com o crime, diz a matéria da Reuters.

Ghosn, que foi preso em Tóquio por alegações de má conduta financeira em 2018, escapou com fiança enquanto aguardava o julgamento. Ele foi levado de Osaka a Istambul em um avião particular e depois transferido para outro avião para Beirute, onde chegou em 30 de dezembro de 2019. Acredita-se que ele tenha se escondido dentro de uma grande caixa.

Os pilotos condenados são Noyan Pasin e Bahri Kutlu Somek, que disseram serem inocentes durante todo o julgamento. Eles, os outros dois pilotos e os comissários de bordo negaram envolvimento nos planos para ajudar Ghosn a fugir e insistiram que não sabiam que ele estava a bordo de seus voos.

O funcionário da companhia aérea, Okan Kosemen, afirmou que foi informado de que Ghosn estava no avião para Istambul somente após o pouso. Ele admitiu ter ajudado a levar Ghosn para o segundo avião com destino ao Líbano, mas afirmou que foi ameaçado e temia pela segurança de sua família.

A empresa turca MNG admitiu que dois de seus aviões foram usados ​​ilegalmente na fuga de Ghosn. A empresa disse que seu funcionário falsificou registros de voos, então o nome de Ghosn não apareceu.

Os condenados devem apelar das condenações.

Uso indevido de ativos

Ghosn, que tem cidadania francesa, libanesa e brasileira, liderou a montadora japonesa Nissan por 20 anos. O homem de 66 anos é procurado por violação de confiança no uso indevido de ativos da empresa para ganho pessoal e violação das leis de valores mobiliários por não divulgar totalmente sua renda.

Ele disse que fugiu porque não podia esperar um julgamento justo no Japão. O Líbano não tem tratado de extradição com o Japão. Além de seu julgamento no Japão, o empresário enfrenta percalços legais na França por causa de seu tempo à frente da aliança Renault-Nissan, incluindo alegações de evasão fiscal, lavagem de dinheiro, fraude e uso indevido de ativos da empresa.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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