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Pino no buraco errado causou o colapso do trem de pouso dianteiro deste Boeing 787

O incidente do mês passado envolvendo um jato Boeing 787 da British Airways, cujo trem de pouso dianteiro colapsou, foi causado por uma falha de comunicação e colocação de pino no local errado.

Foto: AIBB

Estas são as evidências encontradas pelo AIBB, órgão britânico responsável pela investigação de acidentes e incidentes aeronáuticos. No relatório preliminar, divulgado ontem (14), o órgão aponta diversas falhas no processo de manutenção da British Airways.

A aeronave do caso tem matrícula G-ZBJB e é um Boeing 787-8 Dreamliner, que estava sendo preparado, ainda no início da manhã, para um voo de carga entre Londres e Frankfurt. Quando os pilotos chegaram à cabine, perceberam um aviso de manutenção relacionado a um possível defeito na tampa do trem de pouso.

Em conjunto com a equipe de engenharia e manutenção, verificando o manual da aeronave, notaram que seria necessário realizar um teste para que o aviso sumisse e garantisse a segurança da aeronave.

Segundo o AIBB, “o procedimento exigia que a alavanca de acionamento do trem de pouso fosse ajustada mediante força hidráulica aplicada à aeronave. Para evitar que o trem de pouso se retraísse, pinos de travamento tinham que ser colocados em todos os trens de pouso” – e foi aí que os erros começaram.

Um dos engenheiros explicou aos dois mecânicos onde deveriam colocar os pinos de travamento. Porém, um dos mecânicos não era alto o suficiente para colocar o pino no trem dianteiro e pediu para outro fazê-lo, enquanto ele foi colocar os pinos no trem de pouso principal.

Logo após, ele retornou para próximo do trem de pouso dianteiro e conectou o fone de ouvido para falar com a cabine de comando, conversando com o engenheiro. O mecânico informou que os pinos estavam colocados e o engenheiro colocou força hidráulica na aeronave, mas antes de acionar a alavanca perguntou novamente ao mecânico se os pinos estavam no lugar.

Da sua visão no solo, o mecânico reafirmou e disse que estava vendo as “bandeiras”, que são uma espécie de identificadores laranjas colocados em partes críticas das aeronaves para chamar a atenção para alguma cobertura, proteção ou item que esteja ali e que precise ser retirado antes de voar. Serve como uma espécie de alerta visual.

Acontece que, da distância em que ele estava, não era possível afirmar com precisão que o pino colocado pelo outro mecânico estava no local certo. E foi aí que o incidente ocorreu. O engenheiro acionou a alavanca e o trem de pouso destravou para depois colapsar, resultando na queda da parte da frente da aeronave.

Foram danificados além de parte do nariz da aeronave, as portas do trem de pouso e a carenagem dos dois motores do jato, que encostaram no chão com força.

Segundo o relatório preliminar da AIBB, o mecânico “mais alto” acabou colocando o pino no lugar errado por ter um buraco de diâmetro semelhante, onde também cabe o pino, causando a confusão. Como a colocação não foi conferida de perto, acabou ocasionando o incidente.

Caso não é novidade e já poderia ter sido corrigido

O AIBB destacou que o caso não é novo: em 2018, um jato 787-8 que estava sendo convertido para serviço VIP no governo sul-coreano, teve o trem de pouso colapsado exatamente pela colocação errada do pino.

Após o fim da investigação do caso pela NTSB, análoga americana do AIBB, a Boeing emitiu uma diretriz de aeronavegabilidade que inclui o alerta abaixo para evitar a má colocação do pino.

Como mostra a foto, o pino deve ser colocado no buraco menor à direita e não à esquerda, no buraco do vértice do trem de pouso dianteiro. Porém, esta diretriz só foi publicada em 2020, com um prazo de 36 meses (três anos) para ser aplicada.

No caso, a British não a aplicou ainda (e não tinha obrigação, pelo prazo). A AIBB reiterou que os detalhes do caso serão ainda revelados e publicados num relatório final, que não tem data para ser divulgado.

Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A
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